Berliner Tageblatt - China acusa EUA de 'reprimir' suas empresas em lista do Pentágono

China acusa EUA de 'reprimir' suas empresas em lista do Pentágono
China acusa EUA de 'reprimir' suas empresas em lista do Pentágono / foto: © AFP/Arquivos

China acusa EUA de 'reprimir' suas empresas em lista do Pentágono

A China instou, nesta terça-feira (9), os Estados Unidos a "pararem de reprimir" as empresas chinesas após o Pentágono publicar uma lista de empresas que, segundo afirma, trabalham com o exército chinês.

Tamanho do texto:

A lista, divulgada na segunda-feira, inclui, entre outros, a gigante do comércio eletrônico Alibaba, o fornecedor de motores de busca Baidu e o fabricante de veículos elétricos BYD.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou as designações poucas semanas após o presidente Donald Trump se reunir com o líder chinês Xi Jinping em Pequim, enquanto ambas as partes buscam manter a estabilidade em suas relações bilaterais.

A atualização do Pentágono chega meses após ter divulgado - e depois retirado - uma versão anterior da lista sem dar explicações. A nova lista é, em grande parte, similar à versão publicada brevemente em fevereiro.

Entre as 80 empresas afetadas estão alguns dos principais gigantes tecnológicos da China, envolvidos na corrida da inteligência artificial, como Alibaba, Baidu e Tencent.

Dois fabricantes de processadores de memória foram colocados novamente na lista depois de terem sido retirados anteriormente: ChangXin Memory Technologies e Yangtze Memory Technologies.

- "Um aviso" -

"Esta lista atualizada de empresas militares chinesas é um aviso para as empresas americanas, todos os níveis de governo e o povo dos Estados Unidos", disse o representante John Moolenaar, presidente republicano do Comitê Seleto da Câmara sobre a China.

Em um comunicado, instou as empresas americanas a "pararem de fazer negócio com essas ameaças para nossa segurança nacional" ou arriscarem "facilitar a ascensão militar da China".

A resposta de Pequim não demorou.

- "Repressão de empresas chinesas" -

"A China se opõe firmemente à generalização, por parte dos Estados Unidos, do conceito de segurança nacional (...) e à sua repressão insensata às empresas chinesas", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em um comunicado.

O porta-voz instou Washington a "corrigir suas práticas equivocadas".

"A China tomará as medidas necessárias para defender vigorosamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas", declarou.

Esta lista deixa evidente a rivalidade estratégica e tecnológica global entre as duas potências.

Baidu rejeitou sua inclusão na lista mediante um comunicado nas redes sociais chinesas, qualificando as acusações como "completamente infundadas".

"A afirmação de que Baidu é uma empresa militar não tem qualquer fundamento. Não hesitaremos em empregar todos os recursos ao nosso alcance para conseguir que a empresa seja retirada da lista", disse um porta-voz.

Alibaba classificou sua entrada na lista como "um erro" e ameaçou tomar medidas legais.

"Alibaba Group não é uma empresa militar chinesa nem faz parte de nenhuma estratégia de fusão militar-civil", destacou a empresa em um comunicado.

Como a BYD "não é uma empresa militar chinesa nem uma contribuinte para a base industrial de defesa da China", sua inclusão na lista "é injustificada", avaliou, por sua vez, a empresa em uma nota.

A fusão civil-militar é uma estratégia que busca eliminar as barreiras entre o setor civil e o complexo militar-industrial.

A Alibaba e a BYD afirmaram que sua presença na lista não implica sanções, não terá nenhum impacto em suas atividades e não proíbe ninguém de negociar com elas, exceto o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Trump convidou Xi para realizar uma visita a Washington em setembro, mas a lista pode acirrar as tensões entre as duas maiores economias do mundo.

H.Seidel--BTB