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Governo espanhol diz que irá demorar 'muitos dias' para conhecer causas do apagão
A ministra da Transição Ecológica da Espanha advertiu neste domingo (4) que serão necessários “muitos dias” para que se conheça a origem do grande apagão na península ibérica que paralisou o país na segunda-feira.
“Estamos falando de muitos dias”, disse Sara Aagesen em uma entrevista publicada neste domingo (4) no jornal El País.
“Todas as hipóteses estão abertas”, disse ela, inclusive a de um "ataque cibernético".
Quanto ao papel que as energias renováveis poderiam ter desempenhado no apagão, a ministra admitiu a possibilidade de uma anomalia nas instalações fotovoltaicas no sudoeste da Espanha, conforme já mencionado pelo operador da rede elétrica espanhola (REE).
“Até o momento, não sabemos quais foram as instalações de geração que deixaram de estar no sistema”, disse Aagesen.
“Falar sobre energia solar fotovoltaica pode ser precipitado, embora no mapa você possa ver as diferentes tecnologias de geração em cada área. E há uma grande quantidade de energia solar fotovoltaica no sudoeste da Espanha”, disse ela.
A ministra também garantiu que “as energias renováveis não são inseguras em si” e que é “simplista” apontá-las como a origem do incidente.
Após o grande apagão, vários especialistas apontam o desequilíbrio entre a produção e a demanda de eletricidade como a causa do incidente, o que é mais difícil de corrigir sem tecnologias adequadas em uma rede em que a energia eólica e solar são mais importantes.
“As energias renováveis estão dando à Espanha a possibilidade de alcançar uma independência energética muito importante em um mundo geopoliticamente vulnerável. Ter sua própria energia autóctone é fundamental”, disse a ministra.
A melhoria das interconexões com países vizinhos, como a França, também poderia contribuir para a estabilidade da rede, de acordo com especialistas.
A esse respeito, o ministro disse que, embora a França tenha “há muitos anos visto dificuldades do ponto de vista ambiental” nas interconexões transpirenaicas, “insistimos que esse é um objetivo que vai além de dois países”.
G.Schulte--BTB