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Leste dos EUA enfrenta primeira onda de calor do ano
"Temos que aguentar, senão vamos viver do quê?", disse o operário equatoriano Manuel enquanto consertava a fachada de um prédio em Nova York, em meio à onda de calor que atingia nesta segunda-feira (23) a costa leste dos Estados Unidos com temperaturas próximas dos 40ºC.
"Às vezes paramos, porque é perigoso. Nem todos têm a mesma energia, mas, sim, temos que aguentar", disse à AFP, aos pés de um andaime.
O termômetro ultrapassava os 38°C no começo da tarde em Washington Heights, bairro com uma grande comunidade latina. Segundo o Serviço Meteorológico Nacional, no Central Park, pulmão de Manhattan, a temperatura chegou a 35°C, a maior para esta época do ano desde 1888.
A primeira grande onda de calor deste ano nos Estados Unidos começou no fim de semana e atingiu seu ápice hoje. Ela afetou cerca de 160 milhões de pessoas no leste do país, em cidades como Washington, Baltimore, Filadélfia e Nova York.
"Este calor extremo não será apenas desconfortável e opressivo para os nova-iorquinos. Será brutal e perigoso se as medidas necessárias não forem tomadas", alertou o prefeito Eric Adams. Ele lembrou que 500 pessoas morrem anualmente por causa do calor na cidade, de 8 milhões de habitantes.
Assim como em outras cidades, a Prefeitura instalou "centros de refrigeração" climatizados, principalmente para os idosos, que são mais vulneráveis. "Como há uma onda de calor, ninguém vai querer cozinhar em casa, vai ficar muito quente", disse Stephany Cruz, coordenadora de atividades de um centro para idosos em Washington Heights, que oferece almoço por uma contribuição voluntária de US$ 1,50.
Neste período, o centro fica aberto das 7h às 19h, com capacidade para receber até 150 pessoas por dia, a maioria mulheres.
- Porta aberta -
Uma das frequentadoras regulares é a dominicana Marcia Díaz, 65, que vive com a filha e os três netos e possui apenas um aparelho de ar-condicionado em casa.
"Deixamos a porta aberta para que o apartamento fique mais fresco", contou a aposentada, que sofre de asma e pressão alta. Ela costuma pagar US$ 270 por mês de conta de luz, fora do verão.
Vários hidrantes estão abertos no bairro, e algumas pessoas aproveitam para molhar o rosto e o pescoço, como o técnico Ronald Marcelin, 44, que sua bastante enquanto conserta um aparelho de ar-condicionado em uma pizzaria. "Esté é o começo. Provavelmente este ano vai ser mais duro do que o ano passado."
A intensidade e duração da onda de calor a tornam "extremamente perigosa para qualquer pessoa que não disponha de refrigeração ou hidratação", advertiu o Serviço Meteorológico Nacional, segundo o qual o calor extremo é a principal causa das mortes relacionadas com o clima.
- Sem alívio à noite -
Há uma frente alongada de alta pressão "estacionada sobre a metade oriental do país" que "continuará gerando uma onda de calor extremamente perigosa esta semana. O risco de calor extremo se estenderá hoje do Meio-Oeste até o Atlântico médio", adverte o NWS. "Sabe-se que este nível de risco de calor é pouco frequente (...) com pouco ou nenhum alívio durante a noite", acrescenta.
A onda de calor será protagonista das eleições primárias do Partido Democrata para candidato a prefeito de Nova York, nesta terça-feira. Dois candidatos aparecem como favoritos: o centrista Andrew Cuomo e o astro emergente da esquerda Zohran Mamdami.
"Votem no dia das eleições, mesmo que faça 100 graus [Fahrenheit]", disse Cuomo, ex-governador do estado de Nova York.
Segundo cientistas, as ondas de calor mais frequentes são um sinal claro do aquecimento global, e as previsões são de que elas aumentem em frequência, duração e intensidade.
O ano de 2024 foi o mais quente já registrado e o primeiro a superar o limite de aquecimento de 1,5 °C estabelecido pelo acordo climático de Paris, segundo a Organização Meteorológica Mundial, uma agência da ONU.
S.Keller--BTB