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Um morto e 13 feridos em grande incêndio florestal na França
Centenas de bombeiros lutam, nesta quarta-feira (6), para deter a propagação de um enorme incêndio florestal no sul da França, que deixou uma pessoa morta, 13 feridos e um desaparecido.
O incêndio percorreu 16.000 hectares desde terça-feira no departamento de Aude e é o maior registrado na França no atual verão (hemisfério norte). As autoridades mobilizaram 2.000 bombeiros para controlá-lo.
É "uma catástrofe de uma magnitude sem precedentes", afirmou o primeiro-ministro da França, François Bayrou, para quem o incêndio está "relacionado à mudança climática e à seca".
Uma idosa morreu em sua residência e duas pessoas ficaram feridas, uma das quais está em estado grave. Onze bombeiros também foram impactados, a maioria por inalação de fumaça, e uma pessoa está desaparecida, segundo as autoridades.
"O incêndio segue muito ativo e a situação segue sendo desfavorável" devido à seca, ao calor e ao "forte" vento", disse a secretária-geral da Prefeitura de Aude, Lucie Roesch, à AFP.
A autoestrada A9, que percorre a costa mediterrânea entre França e Espanha, permaneceu fechada na noite de terça-feira e na tarde desta quarta entre as cidades francesas de Narbona e Perpignan, assim como diversas rodovias secundárias.
Dois acampamentos e pelo menos um povoado foram parcialmente evacuados pelo incêndio, que danificou 25 casas e 35 carros, e deixou 2.500 residências sem eletricidade, segundo um balanço provisório.
- "Nunca tive tanto medo" -
Em Saint-Laurent-de-la-Cabrerisse, o cheiro de queimado exala dos hectares carbonizados próximos, enquanto um helicóptero recolhe água no rio que corre abaixo do vilarejo e a despeja alguns quilômetros adiante, constatou um jornalista da AFP.
David Cerdan, de 51 anos, mora a cerca de cem metros da senhora sexagenária falecida que havia se recusado a deixar sua casa na noite de terça-feira. A casa em questão foi destruída, como muitas outras perto de sua residência.
"Só tenho danos materiais", assegura com alívio o homem sobre sua casa milagrosamente intacta, depois que as chamas queimaram somente seu jardim.
Longe dali, os vinhedos são as únicas manchas verdes visíveis no meio de uma paisagem que se tornou acinzentada pelas chamas.
Na noite de terça-feira, Jacques Lavergne, de 68 anos, foi buscar sua sogra de 90 anos no povoado próximo de Tournissan para colocá-la em segurança. Ele conseguiu no último instante.
"Nunca senti tanto medo. As chamas não estavam longe. Houve uma rajada de vento e senti o calor", confessa.
- Incêndio na Espanha -
Até o momento, ultrapassa os 15.000 hectares afetados por cerca de 9.000 incêndios registrados durante o verão atual, principalmente ao longo da costa mediterrânea, segundo o serviço de gestão de emergências.
A União Europeia anunciou que está "pronta para mobilizar" meios para ajudar a França, "se for necessário".
A Justiça abriu uma investigação para determinar as causas do incêndio, que começou na tarde de terça-feira em Ribaute, mas até o momento não privilegiam nenhuma pista, segundo Roesch.
As poucas precipitações e o aumento das áreas queimadas nos últimos anos em Aude agravaram a situação, assim como a eliminação de vinhedos que costumavam ajudar a conter o avanço dos incêndios.
As chamas se produzem no momento em que o sudoeste e o centro-oeste da França se preparam para uma nova onda de calor a partir de quinta-feira, que já atingiu a Espanha esta semana.
As temperaturas podem chegar aos 40ºC em diversas regiões, além do risco "muito alto e extremo de incêndios florestais em grande parte do país", alertou o serviço espanhol de Proteção Civil nesta quarta-feira.
Na turística Tarifa, no sul do país, o incêndio iniciado na terça-feira continua ativo e já obrigou a retirada de "1.550 pessoas" de acampamentos, hotéis e residências, além de "milhares de veículos", muitos deles pertencentes a banhistas, segundo o responsável regional do Interior, Antonio Sanz.
K.Brown--BTB