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França anuncia medidas para reduzir dependência de gás e petróleo
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta sexta-feira (10) uma série de medidas para reduzir a dependência do gás e do petróleo em setores como o transporte e a habitação, diante do aumento dos preços causado pela guerra no Oriente Médio.
Os combustíveis fósseis representam 60% do consumo de energia, uma proporção que o governo deseja reduzir a 40% até 2030, aumentando o uso da eletricidade de origem nuclear ou renovável nos transportes, na indústria e nos edifícios.
"A guerra no Oriente Médio não é nossa e, entretanto, nos afeta muito diretamente. Felizmente, a França tem um trunfo: uma eletricidade produzida em seu próprio território", principalmente de origem nuclear, afirmou Lecornu.
O governo do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, anunciou que reorientará os subsídios públicos para a eletrificação do país, objetivo que contará com até 10 bilhões de euros (R$ 59,5 bilhões, na cotação atual) de apoio por ano até 2030.
Para depender menos de energias fósseis, a instalação de sistemas de aquecimento a gás em novas construções será proibida a partir do final de 2026, e dois milhões de moradias sociais deixarão de utilizá-lo até 2050.
No setor de transportes, a partir de junho o governo ajudará a financiar mais 50 mil veículos elétricos com um aluguel reduzido para os "grandes condutores" afetados pelo aumento dos preços dos combustíveis.
"Em particular para os prestadores de serviços domiciliares, os auxiliares de enfermagem, os enfermeiros, os artesãos e, de forma mais ampla, todos os assalariados ou funcionários públicos do nosso país", ressaltou o primeiro-ministro.
Para as companhias e, sobretudo, para as pequenas e médias empresas, o governo prevê subsídios de até 100.000 euros (R$ 594.790) por veículo para automóveis comerciais e caminhões elétricos.
Em 2025, o setor nuclear foi a principal fonte de produção elétrica na França com 68,1%, muito acima das energias renováveis (27%), segundo a RTE, operadora da rede de transporte de eletricidade.
Macron anunciou em fevereiro de 2022 um "renascimento da energia nuclear", um plano que prevê a construção de seis novos reatores EPR2, aos quais poderiam se somar outros oito, e em 2024 colocou em funcionamento um novo reator nuclear, previamente planejado.
O.Lorenz--BTB