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Censo demográfico na Índia, um desafio do tamanho do país
Sukhwinder Kaur enfrenta o sol escaldante de Nova Délhi enquanto vai de porta em porta como parte do colossal censo demográfico da Índia para contabilizar mais de um bilhão de cidadãos do país mais populoso do planeta.
Os recenseadores como ela, que receberão ao todo 212 euros (R$ 1.245, na cotação atual) cada um, estão espalhados por todo o território de mais de 1,4 bilhão de pessoas para coletar dados destinados a orientar as políticas públicas.
A primeira fase do censo, apresentado como o maior já realizado no mundo e cujo custo é estimado em 1,050 bilhão de euros (R$ 6,2 bilhões), tem como objetivo contabilizar o número de moradias, tanto nas megacidades quanto nas aldeias mais remotas.
Em abril, mês em que as temperaturas ultrapassam os 35 ºC em algumas regiões, a tarefa é extenuante.
Na semana passada, Kaur, abatida pelo calor, desmaiou. "Voltei para casa, mas retornei à noite, por volta das 23h00", contou à AFP a professora de híndi de 38 anos.
Após bater discretamente à porta de uma residência, ela explica o motivo de sua visita a uma pessoa idosa.
"Alguns falam com educação, outros se comportam de maneira estranha", afirma a recenseadora.
- Modesta contribuição -
Mas seu trabalho como professora é, segundo ela, uma vantagem: "Aprendemos a lidar com pessoas muito diferentes", afirma.
A primeira fase inclui um questionário detalhado sobre a habitação, que abrange desde o número de quartos e banheiros, até o acesso à internet, o abastecimento de água e o gás de cozinha.
A segunda etapa, a partir de 1º de março de 2027, buscará recolher dados detalhados sobre a demografia, a educação e a situação econômica e social. Também abordará a delicada questão do pertencimento a uma casta que, herdada da tradição hindu, continua sendo um elemento determinante da sociedade indiana e uma fonte de discriminação e desigualdades.
Muitas megacidades, incluindo Nova Délhi, com seus 30 milhões de habitantes, enfrentam escassez de água, elevada poluição do ar e da água, e abrigam enormes favelas superlotadas.
O governo afirma que esta primeira fase será "uma base essencial para um planejamento baseado em dados e a implementação de programas de proteção social e desenvolvimento".
Em Bangalore, o Vale do Silício indiano no sul do país, Sheikh Shavali, de 50 anos, abre caminho pelos estreitos becos do bairro pobre de Maya Bazaar.
"Este trabalho é a minha modesta contribuição para ajudar estas pessoas. Se os dados forem recolhidos corretamente, poderão ser implementadas medidas adequadas para elas", acredita o docente, que, tal como os outros agentes, deve visitar entre 20 e 25 residências por dia.
- Aplicativo "fácil" -
Em Maya Bazaar, os esgotos estão a céu aberto e seus habitantes têm de percorrer centenas de metros para ter acesso a banheiros públicos, mas a maioria das residências possui pelo menos um smartphone.
Pela primeira vez, o censo é realizado com um aplicativo móvel específico que, no entanto, apresenta falhas.
Para Anandi A., em Bangalore, a app é "fácil de usar", permite "introduzir a informação de um lar em cinco a dez minutos".
Punith, que formou agentes nesta mesma cidade, explica que em censos anteriores, sobretudo o mais recente, de 2011, eram necessários "meses" para estudar e verificar os dados.
"Agora, em três ou quatro horas eu sincronizo e (...) depois o supervisor aprova e o censo fica concluído", detalha.
Durante os treinamentos dos recenseadores aos quais a AFP assistiu em Bangalore, foi pedido aos agentes que "cumprimentassem de forma educada, se identificassem, explicassem o motivo da visita e depois apresentassem um documento oficial de identidade".
Eles também devem vestir-se de maneira adequada, tendo uma postura calma, e informar as pessoas de que seus dados pessoais estão protegidos pela lei do censo. Em caso de recusa, devem propor voltar mais tarde em vez de insistir.
C.Kovalenko--BTB