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Jeff Bezos sonha em devolver o planeta ao seu estado pré-industrial
Jeff Bezos, fundador da Amazon e empresário do setor espacial, afirmou nesta quarta-feira (17) em Paris que sonha em devolver a Terra ao seu estado pré-industrial, enviando atividades poluentes para outro local no espaço.
"Se as viagens espaciais se tornarem confiáveis e baratas o suficiente, e se pudermos obter nossas matérias-primas de asteroides e objetos próximos da Terra e da Lua, então este planeta-jardim poderá retornar ao seu estado anterior à Revolução Industrial", afirmou Bezos na feira Vivatech.
O empresário, que deixou o cargo de CEO da Amazon em 2021, foi um dos fundadores, em 2000, da Blue Origin, empresa que pretende realizar cerca de cem lançamentos ao espaço por ano.
A degradação ambiental, segundo Bezos, "é a única coisa em que o mundo está pior hoje do que estava há 500 anos. Tudo está melhor hoje". Ele citou o "analfabetismo, a mortalidade infantil e a pobreza" como indicadores que eram piores antes da Revolução Industrial.
A Blue Origin compete nessa área com a SpaceX de Elon Musk, que tem a ambição de colonizar Marte.
Bezos enfatizou que sua prioridade, antes de Marte, é a Lua: "Desta vez, vamos à Lua para ficar", declarou.
"Há água congelada nas crateras perto dos polos da Lua, que estão permanentemente envoltas em escuridão. E isso pode ser convertido em oxigênio e hidrogênio líquidos por meio da eletrólise", explicou.
"Um dia, em um futuro não muito distante, as matérias-primas encontradas ali poderão ser usadas para reabastecer o módulo lunar", acrescentou.
- IA e mão de obra -
Bezos também considerou que a inteligência artificial (IA) abre possibilidades inéditas, sem mencionar as questões ambientais que ela levanta.
A ONU estima que a IA deverá dobrar o consumo de energia e água dos centros de dados até 2030, ameaçando os recursos naturais de bilhões de pessoas.
"Nunca houve um momento melhor para ser empreendedor, um momento melhor para lançar uma empresa", declarou Bezos.
Ele também descartou os temores de perda de empregos.
"Sei que existem muitas preocupações, inclusive entre pessoas inteligentes, de que a IA tornará os humanos supérfluos (...). Discordo completamente dessa visão", enfatizou.
"Acho que, na realidade, a IA criará uma escassez de mão de obra porque permitirá que as pessoas identifiquem mais problemas que temos e uma gama infinita de coisas para inventar", explicou.
J.Bergmann--BTB