-
Boca vence Vasco (3-1) no Maracanã e vai à final da Copa Sul-Americana
-
Advogados de psicólogo e psiquiatra pedem absolvição deles em julgamento pela morte de Maradona
-
Knicks erguem bandeira de campeões após meio século de espera
-
Quase 90% dos detidos em 'guerra' contra gangues em El Salvador não foram julgados
-
Com Arias sob os holofotes, Palmeiras e Fluminense buscam vaga na final da Libertadores
-
Napoli derrota Bodo/Glimt (4-3) em casa em sua primeira vitória na Champions
-
Milhares de pessoas se mobilizam em Portugal após remoção de acampamentos por moradia
-
Atlético de Madrid empata fora de casa com Stuttgart (1-1) na Champions
-
PSG vence Barcelona (4-2) pela 3ª rodada da Champions
-
Liverpool vence Villarreal (4-3) de virada na 3ª rodada da Champions
-
Manchester City goleia AEK Atenas (5-1) com hat-trick de Phil Foden
-
Atlético de Madrid fora de casa com Stuttgart (1-1) na Champions
-
Zelensky comemora retomada do compartilhamento de informações de inteligência com os EUA
-
Sergen Yalçin é anunciado como novo técnico da seleção da Turquia
-
Importador de alimentos dos EUA busca anular tarifas de Trump ao Canadá
-
Ten Hag diz que Cristiano Ronaldo decepcionou no Manchester United
-
Itália enviará 500 militares a Milão e endurecerá penas após distúrbios
-
Príncipe Harry espera 'virar a página' e deixar para trás conflitos com sua família
-
Zelensky se reúne com emissários dos EUA em Oslo para retomar esforços diplomáticos
-
BBC anuncia corte de mais de 100 empregos
-
Gnabry elogia ex-companheiro Arteta antes de Bayern x Arsenal na Champions
-
Execuções polêmicas reacendem o debate sobre a pena de morte nos EUA
-
Congresso da Colômbia aprova orçamento do governo e projeta grave déficit fiscal
-
Governo francês responsabiliza 'extrema esquerda' por onda de violência no país
-
'Lesões não são desculpa', diz técnico do Aston Villa antes de jogo da Champions
-
Guatemalteco é condenado a 30 anos de prisão por morte de 53 migrantes nos EUA
-
Kompany pode não comandar Bayern contra o Arsenal na Champions devido a virose
-
Flávio Bolsonaro, o herdeiro da dinastia de extrema direita
-
Meta diz que cumpriu ordens do TSE para tratamento igualitário a Lula e Flávio Bolsonaro
-
Apoio a novos líderes de direita está em queda na América Latina
-
UE apresenta nova estratégia para o Ártico diante de ameaças dos EUA e da Rússia
-
Exército turco permanecerá no Iraque e na Síria, afirma ministro à AFP
-
Swiatek desiste do WTA 500 de Ningbo por lesão e fica com vaga no Finals ameaçada
-
Comitê de supervisão da Meta critica 'falhas recorrentes' na moderação de conteúdos eleitorais
-
Le Pen aposta em discurso de ordem em meio à onda de violência na França
-
Diretor da AIE é pessimista quanto a uma 'normalização' do mercado do petróleo em 2027
-
Mourinho lembra que nenhum jogador é 'intocável'
-
Premiê francês acusa 'extrema esquerda' de planejar 'insurreição'
-
Primeiro-ministro da Albânia cita 'guerra híbrida' como causa de protestos violentos
-
Iêmen registra mais de 250 mil deslocados internos desde agosto
-
Vice-presidente dos EUA se distancia de Trump e se abstém de apoiar Netanyahu
-
Presidência da Colômbia inaugura sede em 'Casa Branca' do Caribe
-
Lula ou Flávio Bolsonaro: a escolha final
-
Lula perante si mesmo e a história
-
França começa a julgar detidos em distúrbios e anuncia novos toques de recolher
-
Zelensky se reúne com emissários dos EUA após acusar Washington de atrasar a entrega de mísseis
-
Israel decide se concede mais um mandato a Netanyahu em eleições marcadas pela guerra
-
努莎・奧貝爾:未見嶄新開局,卻見領導失能——波茨坦市長能否勝任其職?
-
Zelensky acusa EUA de atrasar entrega de mísseis interceptadores à Ucrânia
-
Província de Alberta rejeita organizar referendo de independência do Canadá
Com as portas dos EUA fechadas, migrantes haitianos optam pelo 'Sonho Mexicano'
Durante uma conversa com seu pai, Evens faz uma brincadeira perguntando se sua mãe o alimenta bem, e também sobre a situação no Haiti. No México, ele teme não poder fazer nada caso sua família esteja em perigo.
Apesar do sonho em viver nos Estados Unidos, os obstáculos para chegar ao país o levaram a optar pelo "Mexican dream" (sonho mexicano), um termo adotado por ativistas para definir a decisão de milhares de migrantes de ficarem no México diante da impossibilidade de cruzar a fronteira.
Evens Luxama, de 34 anos, está mais preocupado com a situação de seus familiares do que em contar sobre sua vida na Cidade do México.
"Sabe, filho, muitos problemas", resume seu pai por meio de uma chamada de vídeo, no empobrecido país caribenho.
Evens sabe do que seu pai está falando: em janeiro de 2023, uma gangue sequestrou sua prima e a irmã de sua namorada, que foram libertadas após o pagamento de um resgate. Esse episódio precipitou sua ida ao México, onde trabalha atualmente como editor em uma produtora de vídeo.
- Oportunidade -
Evens é uma das 141.000 pessoas que pediram refúgio no México em 2023 - um número sem precedentes. A maioria foram migrantes do Haiti, Honduras e Cuba, especialmente trabalhadores dos setores de construção e comércio, muitas vezes mal remunerados.
A decisão de arriscar no México aconteceu porque era a única embaixada aberta em Porto Príncipe disponível para tirar um visto. E, em sua opinião, é "o país que oferece, neste momento, uma oportunidade como nenhum outro".
Muitos de seus compatriotas também chegaram fugindo da criminalidade, que aumentou após o assassinato do presidente Jovenel Moise, em 2021.
Com 4.789 vítimas, o número de homicídios no Haiti aumentou 119,4% em 2023, enquanto o de sequestros subiu 83%, segundo um relatório da ONU, que em outubro autorizou o envio de uma missão internacional para pacificar o país.
"Às vezes, sua família chama para te pedir algo (...), eles se sentem ameaçados, e você está aqui e não pode fazer nada. Mesmo se estivesse no Haiti, você não poderia fazer nada", comenta Evens para a AFP.
"É quase impossível viver no Haiti (...). Muito antes [do assassinato de Moise] já havia problemas, mas as coisas pioraram porque é como se não houvesse governo", descreve.
- "Sonho Mexicano" -
A migração haitiana para o México não é nova. Em setembro de 2021, após um terremoto mortal, milhares de migrantes se aglomeraram em Ciudad Acuña (nordeste) enquanto esperavam cruzar para os Estados Unidos, protagonizando cenas dramáticas de agentes americanos os perseguindo a cavalo.
As comunidades haitianas em Tijuana (noroeste) e Tapachula (sul, na fronteira com a Guatemala) já existiam, e concentravam milhares de pessoas em busca de permissões para transitar pelo México em direção aos Estados Unidos.
A presença deles na capital é, entretanto, mais recente. Os mexicanos "querem tocar seu cabelo, falar com você, querem saber o que você come e se gosta da comida mexicana", conta Evens.
Dezenas de seus compatriotas vivem desempregados em barracas, em uma praça no bairro central de Juárez, ao lado de uma construção de apartamentos de luxo.
Embora os Estados Unidos tenham criado o Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês), que concede permissões de residência e trabalho a milhares de haitianos, o programa beneficia apenas aqueles que chegaram ao país antes de 6 de novembro de 2022.
Para o diretor no México da ONG International Rescue Committee, Rafael Velásquez, os haitianos optaram pelo "mexican dream" (sonho mexicano) diante das mudanças nas regulamentações americanas e da militarização da fronteira.
"Quando percebem que não vão conseguir cruzar (...) começamos a ver cada vez mais" migrantes que decidem "fazer sua vida no México", explica o pesquisador do Instituto Tecnológico de Monterrey, Javier Contreras.
Com a migração como um dos eixos da campanha nos Estados Unidos, o presidente e candidato à reeleição Joe Biden endureceu algumas leis, mas isso não impediu as travessias ilegais.
Em dezembro passado, 302.000 interceptações de migrantes na fronteira foram contabilizadas, enquanto 520.000 foram expulsos entre maio de 2023 e janeiro de 2024.
- Realismo -
Em uma rua da capital, cinco haitianos perfuram a calçada para instalar tubulações perto de um cinema abandonado.
Jony, o único que fala espanhol, é o elo entre os empregadores e o restante dos trabalhadores, que falam crioulo haitiano e distribuem sorriso para quem os olha. Ele faz parte de uma onda de conterrâneos que chegou primeiro ao Brasil, após o terremoto de 2010, que deixou mais de 300.000 mortos no Haiti.
Muitos deles, que também desembarcaram no Chile, seguiram para o norte durante a pandemia, após denúncias de discriminação e dificuldades para obter status legal, de acordo com a Human Rights Watch.
Mesmo que seu foco inicial fosse chegar aos Estados Unidos, Jony preferiu o México porque "é mais fácil voltar um dia para o Haiti".
Ele viaja várias horas por dia de metrô até seu local de trabalho e, às vezes, passa dias esperando que lhe paguem o salário.
"Eu sei que quero estar com minha família e fazer todo o possível para sermos felizes, alcançar nossos sonhos juntos, mesmo que seja no México", pontuou.
F.Pavlenko--BTB