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Papa Francisco inicia segunda semana de internação e não pronunciará o Angelus
O papa Francisco inicia neste sábado (22) a segunda semana de hospitalização para tratar uma pneumonia bilateral e não pronunciará o Angelus no domingo, mas dois cardeais influentes expressaram otimismo sobre a recuperação do pontífice e minimizaram as especulações sobre uma renúncia.
O pontífice argentino, de 88 anos, não pronunciará a tradicional oração do Angelus no domingo. Ele enviará um texto que será publicado, mas que não será lido, assim como na semana passada, declarou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni.
Jorge Mario Bergoglio está hospitalizado há oito dias e, embora apresente uma "leve melhora", não está "fora de perigo" e permanecerá internado "pelo menos durante toda a próxima semana", anunciaram seus médicos.
"O papa Francisco descansou bem", afirmou a Santa Sé em um comunicado curto divulgado na manhã de sábado.
Francisco foi internado no hospital Gemelli de Roma por uma bronquite em 14 de fevereiro e, no dia 18, a Santa Sé anunciou que ele sofria de uma pneumonia bilateral, uma infecção do tecido pulmonar potencialmente fatal.
A hospitalização do líder da Igreja Católica provocou especulações sobre seu futuro, embora os médicos tenham afirmado na sexta-feira que ele conseguiu se levantar e não está conectado a nenhum aparelho.
Nos últimos dias, o papa recebeu a visita de seus colaboradores mais próximos no hospital. Francisco lê, assina documentos e faz ligações telefônicas, destacou o Vaticano.
No início da semana, ele recebeu a visita da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que afirmou que o pontífice estava "alerta" e "receptivo".
- "Notícias animadoras" -
A hospitalização, a quarta desde 2021, reacendeu a preocupação com a saúde do líder da Igreja Católica, já debilitado por uma série de problemas nos últimos anos, incluindo operações de cólon e do abdômen, além de dificuldades para caminhar.
A inquietação com sua saúde do pontífice aumentou após a divulgação de informações falsas nas redes sociais, principalmente na plataforma X, que noticiavam sua morte em vários idiomas.
"Sei que alguns por aí dizem que chegou a minha hora, sempre me trazem má sorte!", respondeu Francisco, segundo a imprensa italiana, a Giorgia Meloni durante sua visita.
A hospitalização de Jorge Bergoglio, líder espiritual de 1,3 bilhão de católicos e chefe de Estado da Cidade do Vaticano, também alimentou especulações sobre sua capacidade de continuar no cargo. O direito canônico, no entanto, não prevê nenhum dispositivo para o caso de um problema que altere sua lucidez.
Também reacendeu as especulações sobre uma possível renúncia, alimentadas pelos opositores de Francisco, em particular nos círculos conservadores.
"Tenho a impressão de que são especulações inúteis", comentou neste sábado o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado e número dois do Vaticano, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera.
"Graças a Deus, as notícias que chegam do Gemelli são animadoras, ele está se recuperando", acrescentou.
"Não vale a pena que alguns grupos pressionem por uma renúncia. Já o fizeram várias vezes nos últimos anos, e esta só pode ser uma decisão completamente livre do Santo Padre, para que seja válida", declarou ao jornal La Nación o cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e muito próximo de Francisco.
"Não vejo clima de pré-conclave, não vejo mais conversas sobre um possível sucessor do que algo que acontecia há um ano, ou seja, nada especial. Até o momento, percebo bastante respeito", afirmou.
"Nosso papa é um homem sábio e saberá o que é justo fazer diante do Senhor. Enquanto isso, rezamos e esperamos que volte rapidamente para guiar a Igreja universal", declarou o cardeal polonês Stanislaw Dziwisz, que durante 40 anos foi o secretário pessoal de João Paulo II.
Apesar dos problemas de saúde dos últimos anos, o papa Francisco, conhecido por sua força de caráter, manteve uma agenda intensa, embora seus médicos insistam que ele deveria reduzir um pouco suas atividades.
J.Horn--BTB