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Atriz Fanny Ardant defende Depardieu em seu julgamento por agressões sexuais
A atriz francesa Fanny Ardant defendeu, nesta quarta-feira (26), a lenda do cinema Gérard Depardieu, julgado em Paris por duas supostas agressões sexuais durante uma filmagem em 2021, afirmando que nunca viu nenhum gesto "escandaloso" da parte dele.
O ator de 76 anos, que fez mais de 200 filmes e séries de televisão, é a figura de maior destaque a enfrentar acusações de violência sexual na resposta do cinema francês ao #MeToo, um movimento que ele descreveu como um "terror".
O julgamento se concentra nas acusações de Amélie, uma cenógrafa 54 anos, e Sarah (pseudônimo), uma assistente de direção de 34 anos, de agressão e assédio sexual, além de insultos sexistas, durante as filmagens de "Les Volets Verts", do diretor Jean Becker.
"Eu, Fanny Ardant, nunca presenciei um gesto que considerasse escandaloso" por parte de Depardieu, declarou a atriz no terceiro dia de seu julgamento no Tribunal Correcional, descrevendo o ator como um "amigo de longa data".
"Eu também sou mulher, já passei por coisas assim. Sei que se pode dizer não a Gérard", acrescentou Ardant, que alcançou fama internacional na década de 1980 com "A Mulher do Lado", de François Truffaut, no qual atuou com Depardieu.
- "Não a toquei!" -
Sarah, a denunciante de 34 anos, afirma que em 1º de setembro o ator colocou "a mão nas [suas] nádegas", entre outras agressões, uma versão que manteve nesta quarta-feira, no terceiro dia do julgamento.
"Essa noite, sua equipe não estava lá. Saímos do camarim, estava escuro e, no fim do caminho, ele tranquilamente colocou a mão nas minhas nádegas", descreveu Sarah aos juízes.
A mulher explicou que o ator a agrediu duas vezes, tocando suas nádegas e seios. Nas duas vezes, "eu disse não!", exclamou.
Em sua defesa, o premiado ator de filmes como Cyrano de Bergerac afirmou que nunca fica sozinho nas filmagens, pois está acompanhado de sua equipe: figurinista, maquiador e segurança.
"Talvez eu tenha esbarrado nela com as costas no corredor, mas não toquei nela!", disse o réu de 76 anos, vestido de preto, negando novamente qualquer agressão sexual durante a filmagem.
"Não cometi agressão sexual; agressão é mais grave do que isso, acredito eu", disse o ator, que já havia se defendido no dia anterior das acusações da primeira denunciante, Amélie.
"Mais grave do que o quê?", perguntou a advogada de Sarah, Claude Vincent. "Mais grave do que uma mão nas nádegas. Bem, eu não toquei nas nádegas", respondeu Depardieu.
Em um primeiro momento, a assistente de direção não disse nada sobre o o ocorrido até desabafar com seu superior, que exigiu da produção um pedido de desculpas do ator.
Ele se desculpou "muito contrariado", lembrou Sarah. Então, transformou sua vida em um inferno, chamou-a de "dedo-duro" e "louca" além de se recusar a trabalhar com ela, diz.
"Não queria que jovens se aproximassem do camarim porque sou grosseiro!", disse o ator.
"Eu disse: 'vamos deixar as pessoas que se escandalizam por nada. Prefiro que seja um homem'", acrescentou.
"Sou vulgar, sou grosseiro, sou desbocado", mas "não toco", acrescentou o acusado.
Além do julgamento, vinte mulheres o acusaram de comportamento semelhante, mas a maioria das queixas foi rejeitada porque o prazo de prescrição havia expirado.
A atriz francesa Charlotte Arnould foi a primeira a registrar uma queixa. Em agosto, a promotoria de Paris solicitou que o ator fosse julgado por estupros e agressões sexuais.
O.Krause--BTB