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Alemanha condena sírio à prisão perpétua por torturar opositores durante o regime de Assad
Um médico sírio acusado de torturar opositores durante o regime de Bashar al-Assad foi condenado à prisão perpétua pela Justiça alemã nesta segunda-feira(16), após um julgamento que durou mais de três anos em Frankfurt.
Alaa Moussa, de 40 anos, chegou à Alemanha em 2015, onde trabalhou como cirurgião ortopédico até sua prisão em 2020, quando foi reconhecido por outros refugiados sírios.
Ele foi acusado de vários crimes contra detidos em hospitais militares em Damasco e Homs durante a guerra civil síria.
Ele sempre negou todas as acusações, incluindo atear fogo nos genitais de um adolescente e aplicar uma injeção letal em um detento que havia resistido a espancamentos.
"Ele matou duas pessoas e feriu gravemente outras nove", disse o juiz Christoph Koller ao proferir seu veredicto, destacando que esses atos cometidos em 2011 e 2012 "fizeram parte da reação brutal do regime ditatorial e injusto de Assad" aos protestos da oposição.
O juiz denunciou "uma violação substancial dos direitos humanos" e destacou que o veredito também é uma forma de demonstrar "que o sofrimento das vítimas não foi esquecido".
A Alemanha já processou e julgou autores de crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos fora de seu território, incluindo vários sírios e iraquianos, em nome do princípio legal da jurisdição universal.
Há duas semanas, a Justiça alemã condenou à prisão perpétua um ex-líder de uma milícia síria que apoiava o ex-presidente Assad por assassinato, tortura e sequestro entre 2012 e 2014.
O conflito na Síria, desencadeado por protestos pacíficos reprimidos com violência em 2011, deixou mais de meio milhão de mortos, forçou milhões a abandonarem suas casas e devastou a economia e a infraestrutura do país.
Em dezembro passado, Assad foi deposto por uma coalizão de forças que incluía grupos jihadistas e fugiu do país.
J.Horn--BTB