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Promotoria de NY retira acusação contra filho de 'El Chapo' após acordo de culpabilidade
A promotoria de Nova York retirou nesta terça-feira (1º) as acusações de narcotráfico que pesavam sobre Ovidio Guzmán, um dos filhos do cofundador do Cartel de Sinaloa, Joaquín "El Chapo" Guzmán, após um acordo para se declarar culpado e evitar um julgamento, segundo autos judiciais.
Ovidio Guzmán, também chamado de "El Ratón", um dos quatro filhos de "El Chapo" conhecidos como "Los Chapitos" que estavam à frente de uma facção do Cartel de Sinaloa, firmou em 30 de junho um documento no qual indica que "deseja se declarar culpado", o que evita que ele tenha que se sentar no banco dos réus.
Como consequência disso, a promotora do tribunal do distrito Sul de Manhattan retirou hoje as acusações que pesavam sobre ele por conspiração em empresa criminosa continuada, narcotráfico, lavagem de dinheiro, uso de armas de fogo e distribuição de cocaína, heroína, metanfetamina, maconha e fentanil, e transferiu seu caso para o tribunal de Chicago.
Segundo os autos da corte de Chicago, responsável por instruir o caso, em 9 de julho está prevista uma audiência para oficializar sua declaração de culpabilidade perante a juíza Sharon Johnson Coleman.
Depois desse trâmite, a juíza vai lhe impor uma sentença em uma data que ainda será determinada.
As autoridades americanas acusam Ovidio e seus irmãos Archivaldo Iván Guzmán Salazar, Jesús Alfredo Guzmán Salazar e Joaquín Guzmán López de serem os líderes dos "Chapitos".
Os Estados Unidos, que designaram recentemente o Cartel de Sinaloa como uma organização "terrorista" global, acusam os quatro filhos de "El Chapo" de traficarem fentanil para o território americano, onde esse opioide está relacionado com dezenas de milhares de mortes.
- Sanções aos 'Chapitos' -
Ovidio Guzmán foi detido em 17 de outubro de 2019 em Culiacán, no noroeste do México, mas foi libertado por ordem do então presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador pela onda de violência causada pelo Cartel de Sinaola como represália.
Em setembro de 2023, quando López Obrador ainda governava, Ovidio voltou a ser capturado e as autoridades o extraditaram aos Estados Unidos.
Como parte da negociação, as autoridades americanas permitiram a entrada de 17 familiares de Ovidio no país em maio. Além dele, seu irmão Joaquín também foi transferido para Chicago.
A prisão de Joaquín Guzmán López ocorreu em 25 de julho de 2024, quando aterrissou nos Estados Unidos em um pequeno avião na companhia de Ismael "El Mayo" Zambada, cofundador do Cartel de Sinaloa junto com "El Chapo".
Zambada, de 77 anos, afirma que foi vítima de uma emboscada e enganado por Guzmán López para ser levado à força aos Estados Unidos em troca de supostas vantagens para ele e seu irmão Ovidio.
Além disso, o chefão "El Chapo" Guzmán cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos por narcotráfico.
Em sua política agressiva contra os cartéis do narcotráfico, o governo Trump anunciou, no início de junho, mais sanções contra "Los Chapitos" por tráfico de fentanil e aumentou a recompensa para 10 milhões de dólares (R$ 54,5 milhões, na cotação atual) por cada um dos irmãos foragidos: Archivaldo Iván e Jesús Alfredo.
O governo americano culpa à "liderança de Iván" pela "onda alarmante de violência em México e Estados Unidos contra civis, forças de segurança e membros de cartéis rivais".
Após a prisão de "El Mayo", o confronto entre os herdeiros de Zambada e os filhos de "El Chapo" desatou uma guerra violenta no estado de Sinaloa que já deixou mais de 1.200 mortos, entre eles 39 menores, e 1.400 desaparecidos.
N.Fournier--BTB