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Uribe, de guerrilheiro a primeiro ex-presidente da Colômbia condenado
Com seu punho de ferro contra as guerrilhas, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe acumulou uma popularidade à prova de balas. Mas uma condenação histórica abala o líder da direita questionado por seus supostos vínculos com paramilitares.
O político que governou o país entre 2002 e 2010 foi declarado culpado de subornar testemunhas para que testemunhassem a seu favor sobre sua participação nestes esquadrões de extrema direita. É o primeiro ex-presidente do país condenado pela Justiça penal.
Filho de um fazendeiro e nascido há 73 anos em Medellín, Uribe chegou ao poder quando o país estava em chamas em meio ao confronto entre guerrilheiros, paramilitares e forças do Estado.
Conseguiu uma questionada reforma constitucional que lhe permitiu se reeleger e governar por oito anos consecutivos, nos quais se tornou o algoz das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que ele acusa de terem matado seu pai.
De fala pausada e oratória convincente, também é conhecido pelas declarações calorosas e uma famosa chamada telefônica vazada para a imprensa, na qual insulta seu interlocutor e ameaça agredi-lo.
Com o apoio dos Estados Unidos, tendo o Plano Colômbia como braço financeiro e militar, lançou uma ofensiva sem precedentes contra as Farc.
Ele também foi senador (1986-1994 e 2014-2020) e governador do departamento de Antioquia (1995-1997).
Ao mesmo tempo em que melhorou a percepção de segurança, seu governo foi questionado por milhares de assassinatos cometidos por militares durante a luta contra as guerrilhas.
Foram documentados mais de 6.000 "falsos positivos", civis assassinados e vestidos como guerrilheiros para inflar resultados de combate e receber recompensas.
Das oito milhões de vítimas do conflito armado — entre deslocados, mortos e feridos —, 40% foram registradas durante seu mandato.
- Líder da direita -
Com uma popularidade em torno de 80% durante seu governo, Uribe deixou o poder em 2010, depois que a Justiça vetou um referendo para se candidatar a um terceiro mandato consecutivo.
Posteriormente, retornou ao Congresso e quebrou recordes: em 2018 se tornou o senador mais votado na história da Colômbia e prometeu servir ao país "até o último dia" de sua vida.
Assim, reafirmou-se como pai da direita moderna à frente do partido Centro Democrático, de oposição e berço de seus herdeiros políticos.
Apesar dos escândalos de corrupção, espionagem e vínculos com paramilitares que envolvem seu círculo próximo, em março acumulava uma popularidade de 52%, segundo uma pesquisa da Bloomberg.
O ex-presidente pode enfrentar uma pena de até 12 anos de prisão.
- "Medo" -
Uribe é uma figura que divide os colombianos. Mas até os mais críticos enxergam seu papel essencial na desmobilização das Farc após oito anos de combate implacável.
De origem liberal e formado em Direito, tendo estudado em Harvard, ele chegou ao poder no primeiro turno eleitoral com um discurso radical.
O conflito interno havia entrado em um período crítico devido ao fracasso de uma tentativa de paz com as Farc, o avanço paramilitar e o florescente tráfico de drogas.
"Uribe soube aproveitar o medo que a sociedade colombiana sentia diante da violência e da insegurança para legitimar um projeto político baseado na mão firme do Estado", que chamou de "segurança democrática", diz a cientista política da Universidade dos Andes, Laura Wills-Otero.
Sobreviveu a 15 atentados. No dia de sua posse, as Farc atacaram a sede presidencial com foguetes.
Sempre protegido por um forte esquema de segurança, é reservado sobre sua vida familiar. É casado e tem dois filhos.
T.Bondarenko--BTB