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Terremoto de magnitude 8,8 na Rússia dispara alertas de tsunami no Pacífico
Um terremoto de magnitude 8,8 no Extremo Oriente da Rússia, um dos mais fortes já registrados, provocou tsunamis com ondas de até quatro metros nesta quarta-feira (30) e alertas de evacuação dos Estados Unidos à Colômbia. Autoridades russas relataram ferimentos leves, mas não registraram mortes.
As autoridades da Península de Kamchatka, no Extremo Oriente da Rússia, informaram nesta quarta-feira que o alerta de tsunami havia sido levantado, mais de 11 horas após o forte terremoto.
"Caros moradores e visitantes da região de Kamchatka, nossos colegas do Ministério de Situações de Emergência do Estado levantaram o alerta de tsunami", disse o ministro de Emergências da região, Sergei Lebedev, nas redes sociais.
O terremoto ocorreu na manhã desta quarta-feira na costa de Petropavlovsk (20h24 de terça-feira em Brasília), na Península de Kamchatka, na Rússia, a uma profundidade de 20,7 quilômetros, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
As autoridades de países da Bacia do Pacífico, dos Estados Unidos ao México e Colômbia, emitiram alertas de evacuação após o terremoto, que o USGS classificou como um dos 10 mais fortes já registrados.
Na Rússia, um tsunami inundou o porto de Severo-Kurilsk, nas Ilhas Curilas, a cerca de 350 quilômetros do epicentro do terremoto, segundo o serviço regional de monitoramento sísmico.
Ondas de até quatro metros de altura alcançaram 400 metros terra adentro e atingiram um memorial da Segunda Guerra Mundial, disse Alexander Ovsiannikov, prefeito do distrito das Ilhas Curilas do Norte. Quase 2.000 pessoas foram evacuadas.
"Nossa fábrica está afundando!", gritou uma moradora de Severo-Kurilsk, entre lágrimas.
A onda do terremoto provocou um tsunami de três a quatro metros em Elizovskiy, Kamchatka.
- "Foi assustador" -
"Saímos correndo de roupa íntima com as crianças", disse uma moradora de Kamchatka à agência de notícias estatal Zvedza. "Por sorte, havíamos deixado uma mala com água e roupas perto da porta. Rapidamente a pegamos e corremos... foi assustador", lamentou.
O Japão emitiu inicialmente um alerta de evacuação para quase dois milhões de pessoas, mas na noite desta quarta-feira, o serviço meteorológico rebaixou o nível de risco para as regiões de Ibaraki e Wakayama para "aviso".
Uma mulher morreu no Japão após cair de um penhasco com seu carro enquanto tentava sair de uma das áreas sob alerta, informou a imprensa local.
Uma onda de tsunami de 1,3 metro atingiu Miyagi, um porto ao norte da província de Iwate. No nordeste, trabalhadores da usina nuclear de Fukushima, devastada por um tsunami em 2011, foram evacuados por precaução, informou a operadora.
- Alertas na América Latina -
Autoridades de vários países das Américas, dos Estados Unidos ao México e à Colômbia, emitiram alertas de evacuação para as populações costeiras.
O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico dos EUA advertiu para ondas de um a três metros nas costas do Chile, Costa Rica, Polinésia Francesa, Guam, Japão e outras ilhas do Pacífico. O centro suspendeu o alerta de evacuação para o Havaí algumas horas depois.
Sirenes soaram na praia de Waikiki, popular para surfistas, após o terremoto, e um fotógrafo da AFP relatou engarrafamentos enquanto a população seguia para áreas mais altas.
O governador do Havaí, Josh Green, anunciou que todos os voos para Maui foram cancelados como precaução.
Ondas de até um metro poderiam atingir o litoral de Colômbia, México, Austrália, Nova Zelândia e Taiwan, informou o centro.
O Equador ordenou a evacuação preventiva de praias, docas e áreas baixas nas Ilhas Galápagos, a 1.000 km do continente, devido ao risco de tsunami.
O governo mexicano solicitou à Defesa Civil que mantivesse a população afastada das costas, enquanto o Chile esperava que um possível tsunami atingisse primeiro a Ilha de Páscoa, no Pacífico.
Autoridades de Guatemala, Costa Rica, El Salvador e Panamá também pediram aos habitantes que evitassem atividades aquáticas na costa do Pacífico. Nas Ilhas Marquesas, território da Polinésia Francesa, as autoridades alertaram para possíveis ondas de até quatro metros.
O terremoto desta quarta-feira foi o mais forte na região de Kamchatka desde 1952, segundo o serviço regional de monitoramento sísmico, que alertou para possíveis tremores secundários de magnitude 7,5.
A Península de Kamchatka é o ponto de colisão das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte, tornando-a uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo.
O.Lorenz--BTB