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Nobel iraniana Narges Mohammadi alerta contra 'tentação' das armas nucleares
A ativista iraniana Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz em 2023, lamentou, nesta quarta-feira (6), a "tentação" dos países de desenvolverem armas nucleares, 80 anos depois da tragédia de Hiroshima.
"Em um mundo em que os governos autoritários tentam adquirir armas nucleares para garantir sua sobrevivência, onde as invasões de um país por outro estão se tornando algo habitual e onde instituições internacionais, como as Nações Unidas, estão perdendo gradualmente sua influência, a tentação dos países para adquirirem armas nucleares é cada vez maior", afirmou esta defensora dos direitos humanos das mulheres, em um vídeo enviado do Irã durante uma conferência organizada pelo Comitê Nobel da Noruega.
Mohammadi foi julgada e detida repetidamente por sua luta contra o uso generalizado da pena de morte e o código de vestimenta obrigatório em seu país. Atualmente, se encontra em liberdade provisória desde dezembro por razões médicas.
A ativista fez este discurso coincidindo com as comemorações do 80º aniversário do lançamento da bomba atômica em Hiroshima, no Japão, onde, nesta quarta-feira, representantes de uma centena de países fizeram um minuto de silêncio em memória das vítimas daquela tragédia que deixou 140 mil mortos.
A Nobel também criticou que o programa nuclear iraniano não tenha melhorado as condições de vida da população.
"Hoje sofremos graves cortes de eletricidade e água em todo o país. Regiões inteiras permanecem paralisadas durantes horas, até dias, sem eletricidade e água", explicou. "E enquanto isso, o regime tem em seu poder 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, que agora se sente obrigado a ocultar".
Em 2023, Mohammadi ganhou o Nobel "por sua luta contra a opressão da mulher no Irã e a promoção dos direitos humanos e a liberdade para todos". Seus filhos receberam o prêmio em seu nome, já que naquele momento ela estava na prisão.
S.Keller--BTB