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Jornada de violência na Colômbia deixa 13 mortos e dezenas de feridos
Um caminhão-bomba, drones e fuzis: a Colômbia viveu nesta quinta-feira (21) uma sangrenta jornada com dois ataques em diferentes regiões que deixaram 13 mortos e dezenas de feridos, na pior ofensiva dos grupos armados na última década.
Por volta das 15h locais (17h de Brasília), um caminhão carregado com explosivos explodiu em uma rua movimentada ao lado de uma base aérea em Cali (sudoeste), a terceira cidade mais populosa do país.
O ataque deixou cinco mortos e 36 feridos, segundo autoridades que ainda não atribuíram a autoria a nenhum grupo armado.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram veículos em chamas, casas destruídas, pessoas feridas no chão e moradores fugindo em pânico em meio ao som de alarmes e gritos.
Mais cedo, no noroeste do país, a maior dissidência da ex-guerrilha das Farc atacou um esquadrão da polícia que trabalhava em uma missão de erradicação de narcocultivos.
Armados com fuzis e um drone, os rebeldes derrubaram um helicóptero e enfrentaram os policiais em um ataque que deixou oito mortos. As autoridades ainda não confirmam se todas as vítimas eram integrantes das forças de segurança.
A violência se intensifica no país a um ano das eleições presidenciais. Em 11 de agosto, morreu o candidato favorito da direita, Miguel Uribe, após ser atingido com um tiro na cabeça em um atentado.
- "Ruído estrondoso" -
O norte da cidade de Cali estava em caos na tarde desta quinta-feira. O ataque tinha como alvo uma escola militar de aviação, indicou o prefeito Alejandro Eder na rede X.
"Conseguimos ouvir o ruído estrondoso da explosão (...) Depois não se pôde passar, não se pôde ver nada, nada, porque há muitos feridos, muitas casas danificadas em frente à base", disse à AFP Héctor Fabio Bolaños, de 65 anos, reitor de uma escola vizinha que precisou ser evacuada.
"As crianças que tinham aula à tarde tiveram de ser entregues aos pais, que vieram buscá-las, por causa do susto", acrescentou.
A cidade de 2,2 milhões de habitantes, a mais importante da região do Pacífico, sofre uma ofensiva de guerrilhas e grupos narcotraficantes que disputam o lucrativo negócio da cocaína enviada aos Estados Unidos e à Europa.
Alexis Atizábal, fabricante de uniformes para a Força Aérea em uma loja próxima ao local do atentado, disse à AFP que a explosão "quebrou vidraças" e deixou "danos materiais" em seu estabelecimento.
No início de julho houve múltiplos ataques com explosivos e drones em Cali e arredores, em uma jornada que deixou sete mortos e espalhou terror entre os moradores.
- "Organizações terroristas" -
O acordo de paz de 2016, que desarmou a maior parte das Farc, trouxe um período de tranquilidade, mas outros grupos se fortaleceram nas áreas abandonadas pelos rebeldes e não ocupadas pelo Estado, segundo especialistas.
O presidente esquerdista Gustavo Petro pediu na rede X "ao Estado colombiano e ao mundo" que declarem como "organizações terroristas" duas facções dissidentes das Farc e o Clã do Golfo, o maior cartel produtor de cocaína.
Desde que chegou ao poder em 2022, o primeiro presidente de esquerda da história do país tenta negociar com todos os grupos armados. Mas a maioria dos processos está em ponto morto.
Só avançam as negociações com o Clã do Golfo, no Catar, após várias tentativas fracassadas iniciadas em 2023. Também seguem as conversas com uma pequena cisão da guerrilha ELN e outra dissidência das Farc, comandada por "Calarcá", como é conhecido o líder do grupo.
O ataque com drones e fuzis contra a polícia ocorreu no departamento de Antioquia, em meio a operações antinarcóticos no país que mais produz cocaína no mundo.
Imagens publicadas nas redes sociais mostram o helicóptero sobrevoando a região e, em seguida, um estrondo seguido da queda da aeronave. Em outras imagens, vê-se uma fumaça preta subindo da montanha.
O uso de drones carregados com explosivos é cada vez mais comum no conflito armado na Colômbia.
Segundo um relatório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), as vítimas de artefatos explosivos, especialmente pelo "uso intensivo" de drones, dobraram nos primeiros meses de 2025.
A Colômbia registrou um recorde de 253 mil hectares de cultivo de folha de coca em 2023. Petro promove um plano de erradicação voluntária por parte dos camponeses por meio de incentivos econômicos.
M.Ouellet--BTB