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México pedirá aos EUA parte dos recursos recuperados de 'Mayo' Zambada
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse, nesta quarta-feira (27), que seu governo solicitará aos Estados Unidos parte dos 15 bilhões de dólares (81 bilhões de reais) que foram impostos como multa ao traficante de drogas Ismael "Mayo" Zambada, para distribuí-lo entre pessoas pobres.
O cofundador do poderoso cartel de Sinaloa, detido pelas autoridades americanas em julho de 2024, declarou-se culpado na segunda-feira perante um tribunal de Nova York por diversas acusações de organização criminosa, tráfico de drogas, assassinatos e lavagem de dinheiro.
Ao assumir sua culpa, Zambada evitou ir a julgamento, mas permanecerá encarcerado por toda a vida e terá que pagar a multa bilionária.
"Se houvesse uma recuperação de recursos por parte do governo dos Estados Unidos, então sim, estaríamos pedindo que fossem direcionados ao México para as pessoas mais humildes", afirmou Sheinbaum durante sua habitual coletiva de imprensa matinal.
A mandatária esclareceu, no entanto, que o valor da multa é um cálculo efetuado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e não por autoridades mexicanas, e que esses recursos não necessariamente serão pagos diretamente por Zambada.
Questionada se seu governo permitirá que Washington confisque bens e recursos que ele possua no México, Sheinbaum explicou que existem mecanismos e protocolos sobre lavagem de dinheiro entre a Secretaria da Fazenda mexicana e o Departamento do Tesouro dos EUA.
"Se houvesse uma apreensão de recursos (...) no México, então deveríamos solicitar também que esses recursos, se fosse o caso, fossem devolvidos ao México para o benefício da população", acrescentou.
Por sua vez, o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, descartou declarar a extinção do cartel de Sinaloa, apesar da queda de Zambada e de seu antigo sócio Joaquín "Chapo" Guzmán, que cumpre desde 2019 prisão perpétua nos Estados Unidos.
"O cartel não pode estar terminado porque há várias lideranças (...), ainda há células e líderes criminosos muito importantes que precisam ser capturados", afirmou García Harfuch, que reconheceu, no entanto, que certas facções do grupo criminoso "estão enfraquecidas".
O cartel de Sinaloa, declarado por Washington como organização terrorista estrangeira, é considerado a maior máfia de tráfico de drogas do mundo e continua operando através de novas gerações e redes logísticas estabelecidas em ambos os lados da fronteira.
M.Odermatt--BTB