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Trump diz que é momento de virar a página do escândalo de Epstein
O presidente Donald Trump pediu na terça-feira (3) aos americanos que virem a página do escândalo Jeffrey Epstein, depois que a divulgação dos documentos sobre o caso provocou uma investigação contra um importante político britânico e dos pedidos de explicações sobre outras figuras importantes mencionadas nos arquivos.
O ex-embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson renunciou à Câmara dos Lordes do Parlamento britânico em meio a acusações de que teria facilitado informações confidenciais ao falecido criminoso sexual Epstein.
A polícia britânica informou na terça-feira que investiga Mandelson por "crimes de má conduta no exercício de um cargo público".
As consequências da recente divulgação de milhões de documentos relacionados ao caso Epstein também continuam nos Estados Unidos.
O ex-presidente americano Bill Clinton e sua mulher, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, vão depor no fim de fevereiro no Congresso dos Estados Unidos sobre seus laços com Epstein, anunciou o comitê que investiga o caso.
Trump, no entanto, insistiu mais uma vez que foi inocentado pelo último lote de arquivos divulgados ao ser questionado novamente, na terça-feira na Casa Branca, sobre o financista.
"Não saiu nada sobre mim, exceto que foi uma conspiração contra mim, literalmente, por parte de Epstein e outras pessoas. Mas acho que já está na hora de o país, talvez, pensar em outra coisa, como a saúde, ou algo que importe às pessoas", disse Trump.
Ao falar sobre o casal Clinton, o republicano disse que "é uma pena", mas acrescentou que "não é um problema dos republicanos, é um problema dos democratas".
Nem Trump, nem os Clinton foram acusados de crimes penais relacionados às atividades de Epstein.
- Depoimento dos Clinton -
O ex-presidente Clinton (1993-2001) vai depor no dia 27 e Hillary um dia antes, informou o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes.
O comitê quer ouvir Bill Clinton por sua amizade com Epstein, e Hillary pelo que sabe sobre os laços entre seu marido e o financista.
"Ninguém está acima da lei, e isso inclui os Clinton", ressaltou o presidente republicano do painel, James Comer, citado no comunicado.
Após se negar a comparecer por vários meses, o casal mudou de ideia na noite de segunda-feira, pouco antes de uma votação na Câmara dos Representantes de um processo contra eles por obstrução.
Segundo Comer, as audiências serão filmadas e transcritas.
"O ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão no comitê e esperam estabelecer um precedente que seja aplicado a todos", disse na segunda-feira o porta-voz dos Clinton, Ángel Ureña, ao anunciar a decisão, depois da qual o Comitê suspendeu a votação sobre o procedimento por desacato.
- Nomes não censurados e imagens -
Os nomes das supostas vítimas de Epstein, que deveriam permanecer em sigilo, não foram censurados, segundo advogados citados pelo jornal The New York Times. Também foram divulgadas fotos e outros dados privados.
A publicação das informações motivou um pedido a um tribunal para que examine uma solicitação para bloquear o acesso aos arquivos. Um juiz federal americano, contudo, cancelou na terça-feira a audiência judicial prevista para esta quarta-feira, ao anunciar que "as partes conseguiram resolver as questões de privacidade".
Embora vários nomes de personalidades já tivessem sido vinculados a Epstein no passado, alguns voltaram à tona com a revelação de detalhes dos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça.
Este é o caso, por exemplo, do linguista americano Noam Chomsky, um dos intelectuais mais influentes das últimas décadas, que se mostrou solidário a Epstein em e-mails de 2019 pela "maneira horrível" como a imprensa estava tratando o empresário naquela época.
Outro citado é oex-príncipe britânico Andrew, agora conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor, que apareceu em novas fotos e e-mails. O irmão do rei Charles III deixou na terça-feira sua luxuosa residência em Windsor, informou a BBC.
Além disso, usuários de redes sociais geraram imagens falsas com inteligência artificial (IA) que mostram de maneira falsa personalidades políticas ao lado de Epstein, entre eles a líder opositora venezuelana María Corina Machado e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, informaram especialistas.
M.Odermatt--BTB