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Hillary Clinton pede que Trump deponha sobre Epstein perante comissão do Congresso
A ex-secretária de Estado americana, Hillary Clinton, obrigada a testemunhar nesta quinta-feira (26) perante uma comissão do Congresso sobre seus vínculos com o falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, exigiu que o presidente Donald Trump também seja chamado a prestar depoimento sob juramento.
Seu marido, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), foi convocado a se apresentar nesta sexta-feira, um dia depois da esposa, perante a Comissão de Supervisão da Câmara de Representantes, controlada pelos republicanos.
A audiência é uma manobra para "desviar a atenção" sobre Trump, acusou a política democrata, de 78 anos, em declaração difundida antes de seu depoimento.
Epstein morreu em uma cela de prisão em Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento.
Tanto os republicanos quanto os democratas obrigaram o casal Clinton a depor, sob ameaça de desacato.
Os republicanos têm "muitas perguntas" para os Clinton, declarou o chefe da comissão de investigação, James Comer.
O apelo de Hillary Clinton contra Trump foi seguido por correligionários democratas.
"O Departamento de Justiça continua liderando um encobrimento da Casa Branca", afirmou, por sua vez, o principal democrata no comitê, Robert Garcia.
"Vamos levar o presidente (Donald) Trump perante o nosso comitê", exigiu.
A audiência ocorre a portas fechadas em um centro de eventos artísticos na cidade onde mora o casal Clinton.
- Aviões e piscinas -
Ao longo dos anos, vieram à tona fotos e documentos que mostram Bill Clinton no avião particular de Epstein ou em festas oferecidas pelo financista.
Durante meses, os Clinton se recusaram a atender às intimações do comitê.
Bill Clinton e o presidente Trump, ambos com 79 anos, aparecem com destaque no último lote de documentos do governo divulgados sobre o caso Epstein, mas cada um afirmou ter rompido relações com o financista antes de sua condenação por crimes sexuais na Flórida, em 2008.
A mera menção nos arquivos não constitui prova de que um crime foi cometido.
- A portas fechadas -
Os Clinton exigiram que seus depoimentos fossem públicos, mas a comissão insistiu em interrogá-los a portas fechadas, uma decisão que Bill Clinton classificou como "puramente política" e comparável a uma "farsa judicial".
Depoimentos a portas fechadas são prática comum em comissões de investigação, pois permitem que perguntas mais incisivas sejam feitas às testemunhas, as quais, por razões legais, não podem ser feitas diante de câmeras de TV.
Hillary Clinton, que perdeu a eleição presidencial de 2016 para Trump, afirmou em uma entrevista à BBC na semana passada que ela e seu marido "não têm nada a esconder".
A única pessoa julgada e condenada no enorme escândalo internacional foi a sócia de Epstein, Ghislaine Maxwell, de 64 anos, que está presa em um presídio de segurança máxima.
Hillary Clinton admtiu ter se encontrado com Maxwell "em algumas ocasiões", mas que nunca teve nenhuma interação significativa com Epstein.
Em Chappaqua, as medidas de segurança são rigorosas e para evitar fotos, foi instalada uma tenda branca em uma porta lateral.
- Tráfico sexual -
Bill Clinton admitiu ter viajado no avião de Epstein diversas vezes no início dos anos 2000 para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein no Caribe.
Mais problemáticas são as fotos recentemente divulgadas nas quais Clinton aparece em locais como uma piscina, cercado de mulheres jovens.
Maxwell se apresentou por videoconferência perante a Comissão de Supervisão da Câmara no início deste mês, mas se recusou a responder às perguntas, invocando seu direito de não se autoincriminar.
Seu advogado, David Markus, afirmou que Maxwell estaria disposta a falar publicamente se Trump lhe concedesse um indulto.
Markus também afirmou que Trump e Bill Clinton são "inocentes de qualquer irregularidade".
"Só a senhora Maxwell pode explicar o porquê e o público tem direito a essa explicação", disse ele.
Epstein cultivou uma rede de poderosos executivos, políticos, celebridades e acadêmicos, e a divulgação dos arquivos teve repercussões em todo o mundo, incluindo as prisões no Reino Unido do ex-príncipe Andrew e de Peter Mandelson, ex-embaixador nos Estados Unidos.
Diversos americanos proeminentes tiveram suas reputações prejudicadas por suas amizades com Epstein e renunciaram a seus cargos, mas ninguém além de Maxwell enfrentou consequências legais.
C.Kovalenko--BTB