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Bill Clinton depõe a congressistas sobre seus vínculos com Epstein
O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, começou a depor perante uma comissão do Congresso, nesta sexta-feira (27), sobre seus vínculos amplamente documentados com Jeffrey Epstein, embora os democratas tentem desviar o foco para a relação do presidente Donald Trump com o criminoso sexual.
Clinton, de 79 anos, é um dos destaques nas últimas revelações dos arquivos de Epstein. O ex-presidente insiste, no entanto, que rompeu relações com o financista muito antes da condenação de Epstein por crimes sexuais em 2008.
"Levamos meses para trazer os Clinton aqui. Mas, agora que os temos, vamos fazer muitas perguntas", disse, nesta sexta, o presidente da Comissão de Supervisão da Câmara de Representantes, o republicano James Comer.
O legislador democrata Suhas Subramanyam, membro da comissão, reagiu com um pedido para que o presidente Donald Trump seja interrogado: "Sejamos realistas, hoje estamos falando com o presidente errado".
"O presidente Trump é quem entorpece nossa investigação. O presidente Trump é quem deseja acabar com isto", acrescentou.
O comparecimento de Bill Clinton perante a comissão, controlada pelos republicanos, ocorre um dia após o depoimento de sua esposa, Hillary Clinton, ex-secretária de Estado.
"Se esta comissão estivesse realmente interessada na verdade (...), pediria diretamente ao nosso atual presidente que prestasse depoimento, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que ele aparece nos arquivos", afirmou a política veterana em um texto divulgado na quinta-feira, pouco antes de se apresentar à comissão.
A simples menção nos arquivos não constitui prova de cometimento de um crime.
As audiências acontecem a portas fechadas, apesar do pedido dos Clinton para que fossem públicas e televisionadas.
O interrogatório de Bill Clinton se apresenta como mais complexo do que o de Hillary. O ex-presidente reconheceu sua relação com Epstein, mas nega qualquer irregularidade, e não há acusações formais contra ele.
Ambos prestam depoimento em Chappaqua, perto de Nova York, onde residem.
- "Não tenho essas informações" -
O ex-presidente explicou que voou no avião de Epstein diversas vezes no início dos anos 2000 para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein no Caribe.
A Comissão de Supervisão da Câmara investiga pessoas ligadas a Epstein, especialmente após o Departamento de Justiça ter divulgado milhões de novos documentos.
Novas fotografias tiradas recentemente dos arquivos de Epstein mostram Bill Clinton recostado em uma banheira de hidromassagem, com parte da imagem coberta por uma tarja preta. Em outra, Clinton aparece nadando junto a uma mulher de cabelos escuros que parece ser a cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell.
Em sua declaração inicial perante a comissão, Hillary Clinton indicou que sua intimação se baseava na "suposição de que eu possuo informações sobre as investigações das atividades criminosas de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell".
"Deixe-me ser o mais clara possível. Eu não tenho essas informações", afirmou ela.
Além disso, insistiu que não viajou no avião de Epstein nem visitou a ilha dele.
Epstein foi um financista de Nova York que se relacionava com os ricos, famosos e poderosos do mundo. Foi condenado em 2008 por solicitar sexo a menores de idade, inclusive a adolescentes de apenas 14 anos.
Ele foi encontrado morto em 2019, em sua cela em uma prisão de Nova York, onde enfrentava um segundo julgamento por suposto tráfico sexual. Sua morte foi considerada suicídio.
Inicialmente, os Clinton recusaram-se a depor, mas concordaram depois que congressistas republicanos ameaçaram considerá-los culpados de desacato ao Congresso.
Os democratas argumentam que a investigação tem sido usada para atacar os adversários políticos de Trump em vez de fazer uma apuração autêntica.
F.Pavlenko--BTB