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Ex-ministro da Segurança da Costa Rica acusado de narcotráfico é extraditado para os EUA
A Costa Rica extraditou, nesta sexta-feira (20), para os Estados Unidos o ex-ministro de Segurança e ex-juiz Celso Gamboa para enfrentar acusações de narcotráfico, em um caso em que o acusado promete envolver funcionários do atual governo.
Gamboa, advogado de 49 anos e ex-vice-procurador-geral, foi entregue por um juiz a agentes antidrogas americanos junto com seu suposto sócio, Edwin López Vega, conhecido como "Pecho de rata", em meio a uma vasta operação de segurança no aeroporto Juan Santamaría, que atende San José.
São os primeiros costa-riquenhos a serem extraditados após uma reforma constitucional de 2025 que permitiu a entrega de cidadãos.
Além disso, "são pessoas de alto perfil", por isso "é um dia histórico", destacou o procurador-geral, Carlo Díaz, em declarações à imprensa no terminal aéreo.
Ministro durante a presidência de Luis Guillermo Solís (2014-2018), Gamboa partiu com López Vega, ex-condenado por narcotráfico, em um avião escoltado por oficiais da Administração de Repressão às Drogas (DEA, na sigla em inglês) com destino ao Texas.
O ex-juiz da Suprema Corte de Justiça (2016-2018), que vestia camiseta vermelha, embarcou no avião algemado e sob forte escolta, tentou impedir sua extradição com recursos legais de última hora que foram rejeitados.
O procurador indicou que "circulava [uma versão de] que havia interesse em acabar com a vida" de Gamboa.
Antes da extradição, um juiz validou as garantias concedidas pelos Estados Unidos de que, se for considerado culpado, não será condenado a mais de 50 anos de prisão, a pena máxima na Costa Rica.
A reforma constitucional, impulsionada pelo presidente de direita Rodrigo Chaves, autorizou a extradição por narcotráfico e terrorismo.
"Foi preciso que um aliado viesse corrigir a ineficiência de um poder judiciário vergonhoso", criticou nesta sexta-feira o mandatário, que deixará o poder no dia 8 de maio.
Segundo a promotoria americana, Gamboa ajudou "outros narcotraficantes internacionais a fabricar, distribuir e transportar quantidades consideráveis de cocaína, grande parte da qual foi traficada para os Estados Unidos através da Costa Rica".
No início de março de 2025, Gamboa, que nega as acusações, disse que falará com as autoridades americanas sobre pessoas que "neste momento estão no poder Executivo" e que deveriam ser presas.
"Aqui há pessoas que deveriam estar presas lá [...] comigo", declarou o ex-ministro ao canal Teletica, sem dar nomes nem mencionar possíveis delitos.
“Acredito que [...] não só Gamboa, mas também López Vega e todos os demais que chegam [para serem extraditados], que deem seus depoimentos com a intenção de reduzir [...] suas penas e que possam gerar informações mais importantes e mais relevantes do que eles próprios”, disse à imprensa o diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ), Michael Soto, após a extradição.
Gamboa, que também foi chefe de inteligência entre 2013 e 2014, é o ex-funcionário costa-riquenho de mais alto escalão acusado de narcotráfico e já enfrentava acusações de corrupção.
T.Bondarenko--BTB