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Papa tem recepção calorosa no leste de Angola
Entre gritos de alegria, o papa Leão XIV foi recebido com grande fervor no leste de Angola nesta segunda-feira (20), no terceiro dia da sua visita ao país africano, onde condenou "a chaga da corrupção" e fez um apelo a superar as divisões.
O pontífice chegou pouco antes das 10h00 (6h00 de Brasília) a Saurimo, mais de 800 km ao leste de Luanda, capital da província da Lunda Sul, uma região isolada e historicamente marginalizada, vizinha das zonas de exploração de diamantes do nordeste de Angola.
Sob o calor tropical, cercado por vários agentes de segurança, Leão XIV acenou para a multidão no papamóvel ao avançar pelas ruas da cidade, de 220 mil habitantes, onde a Igreja Católica trabalha para enfrentar a pobreza endêmica e atenuar as carências das infraestruturas públicas.
No meio da manhã, o líder de 1,4 bilhão de católicos do mundo visitou uma casa de repouso que atende quase 60 idosos abandonados por suas famílias ou vítimas da violência.
Ele foi recebido com cânticos entusiasmados dos residentes, vestidos com trajes coloridos e agitando lenços brancos, depois de ter sido aclamado por centenas de pessoas que lotaram as estradas, incluindo muitas crianças.
"A sua presença neste centro é uma bênção de Deus", declarou ao papa o americano Antonio Joaquin, de 72 anos, que contou ao pontífice os abusos dos quais foi vítima por parte da sua família.
Leão XIV deverá celebrar uma missa ao ar livre para quase 30.000 fiéis nesta segunda-feira.
- Pobreza e "antigas divisões" -
A província de Lunda Sul sofre com a pobreza, os deslocamentos da população e as consequências ambientais da exploração de minerais, que o pontífice denunciou ao chegar ao país.
Durante a tarde desta segunda-feira, Leão XIV retornará à capital do país, Luanda, para se reunir com bispos, padres e religiosos na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, um momento dedicado aos desafios da Igreja angolana, que incluem a escassez de recursos e a influência crescente das Igrejas evangélicas.
Depois de João Paulo II em 1992 e de Bento XVI em 2009, Leão XIV é o terceiro papa a visitar o país, que obteve a sua independência do poder colonial português em 1975.
No domingo, durante uma missa celebrada a 30 quilômetros de Luanda diante de 100.000 fiéis, Leão XIV fez um apelo para superar "as antigas divisões" e pediu a cura para "a chaga da corrupção" com "uma nova cultura de justiça e partilha".
Quase um terço da população angolana vive abaixo da linha internacional da pobreza, fixada em 2,15 dólares (10,70 reais) por dia, segundo o Banco Mundial.
A economia angolana depende em grande medida da exploração e exportação de commodities, petróleo e minerais.
Quase 44% da população, ou seja, 15 milhões de angolanos, se declararam católicos no censo de 2024. O país do sul da África Austral saiu em 2002 de uma sangrenta guerra civil iniciada após a independência em 1975.
A viagem do papa pela África, que começou na segunda-feira da semana passada na Argélia e prosseguiu em Camarões, terminará na Guiné Equatorial de 21 a 23 de abril.
N.Fournier--BTB