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Atirador de pirâmide no México foi influenciado por massacre de Columbine e sacrifícios pré-hispânicos
Julio César Jasso Ramírez, o atirador suicida das pirâmides de Teotihuacan, inspirou-se no massacre da escola americana de Columbine e em sacrifícios pré-hispânicos para realizar um ataque a tiros que deixou uma canadense morta e 13 turistas estrangeiros feridos.
A tarde de segunda-feira transcorria tranquilamente, com o sítio arqueológico perto da Cidade do México repleto de turistas, quando este homem de 27 anos, vestido com uma camisa xadrez e calças pretas, sacou uma pistola de fabricação americana, abriu fogo na pirâmide da Lua e fez várias pessoas reféns.
As autoridades reconstruíram os movimentos de Jasso Ramírez.
Este homem gastou mais de 2.000 dólares (cerca de 9.960 reais) em equipamentos, transporte e hospedagem para recriar o ataque de Columbine, ocorrido em 20 de abril de 1999.
O massacre no Colorado marcou profundamente este mexicano, embora ele tivesse apenas oito meses de idade na época, segundo as autoridades.
Jasso Ramírez chegou às pirâmides na segunda-feira vestindo uma camisa semelhante à usada por um dos atiradores de Columbine e carregando uma mochila tática.
"As evidências recolhidas (...) traçam um perfil psicopático do atirador, caracterizado por uma tendência a copiar situações que ocorreram em outros lugares, em outros momentos e por outras pessoas", disse o procurador-geral do Estado do México, José Luis Cervantes, na habitual conferência de imprensa presidencial nesta terça-feira (21).
As autoridades encontraram, entre os pertences do agressor, a quem classificaram como um "copycat" (imitador de crimes), uma imagem gerada por inteligência artificial que, segundo a imprensa mexicana, o mostra ao lado dos atiradores de Columbine.
O procurador explicou que, antes de realizar o ataque, Jasso Ramírez visitou Teotihuacan "em diversas ocasiões" e hospedou-se em hotéis próximos.
No domingo, ele viajou de Tlapa de Comonfort, uma localidade situada em uma região montanhosa e acidentada do estado de Guerrero, no sul do país, que foi o berço de movimentos sociais e guerrilheiros de esquerda.
Ele chegou à Cidade do México, de onde pediu um carro de aplicativo para se deslocar até o sítio arqueológico e fazer o check-in em um hotel.
- Sacrifícios, "não fotos"-
Os depoimentos dos turistas mantidos em cativeiro pelo agressor revelam outro elemento que pode tê-lo influenciado e que fazem alusão aos sacrifícios que, segundo historiadores, eram realizados por alguns povos pré-hispânicos.
"Uma das coisas que ele nos dizia era que aquele era um lugar para sacrifícios, não para tirar fotos (...) e que era o aniversário do massacre de Columbine", contou a turista americana Jacqueline Gutiérrez à emissora Milenio.
A jovem visitava as pirâmides com os pais e o namorado quando "14 minutos de terror" se desenrolaram, deixando-os sem saída.
"Não podíamos nos mexer, senão cairíamos sob a pirâmide (...) se ele quisesse matar todos nós, teria matado", acrescentou, observando que o mesmo homem lhes disse que vinha planejando o ataque há três anos.
Ela afirmou ter testemunhado o momento em que Jasso Ramírez atirou diretamente na turista canadense, que morreu, e gritou: "Europeus, esta será a última vez que vocês vêm aqui!".
Cervantes afirmou que este foi um ataque solitário, sem qualquer colaboração externa no seu planejamento e execução. Entre os pertences do agressor, foram encontrados também "literatura que alude à agressão e figuras associadas a este tipo de ação violenta".
A imprensa mexicana publicou imagens retiradas das redes sociais atribuídas ao agressor, as quais mostram alusões a Adolf Hitler, que também nasceu em 20 de abril, e a grupos extremistas.
O atirador era originário do estado de Oaxaca (sul do México) e seu título de eleitor indica um endereço em um bairro popular da Cidade do México.
"Ele era muito quieto", disse uma pessoa que lhe alugou o imóvel, de onde ele se mudou há oito anos, falando sob condição de anonimato.
"Eu não falaria em motivação, eu falaria em psicopatia, um transtorno, uma doença", resumiu Cervantes sobre as possíveis motivações do agressor de Teotihuacan.
J.Bergmann--BTB