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Papa critica condições dos pobres e dos presos na Guiné Equatorial
O papa Leão XIV pediu, nesta quarta-feira (22), que "os espaços de liberdade" sejam ampliados e "a dignidade" dos pobres e detentos seja preservada, em seu segundo dia de visita à Guiné Equatorial, um país com desigualdades sociais colossais.
No décimo dia de sua viagem pela África, o pontífice americano tem uma agenda frenética. Ele começou em Mongomo, reduto do clã presidencial na fronteira com o Gabão, com uma missa para cerca de 100.000 fiéis.
Ele foi recebido na basílica com um espetáculo de fogos de artifício e balões, sob os aplausos dos fiéis, após ter sido seguido no papamóvel por uma multidão.
Diante do presidente Teodoro Obiang Nguema, que aos 83 anos governa este país hispanófono com mão de ferro desde 1979, o papa fez um apelo para "que os espaços de liberdade cresçam e que a dignidade da pessoa humana seja sempre preservada".
- "Penso nos mais pobres" -
"Penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldade; penso nos detentos, muitas vezes obrigados a viver em condições preocupantes de higiene e de saúde", denunciou horas antes de visitar uma prisão.
Um apelo em tom diplomático, mas ainda assim pouco habitual neste país criticado pelos seus ataques à liberdade de expressão e pelas condições miseráveis dos centros prisionais.
Em um relatório de 2023, o Departamento de Estado dos Estados Unidos denunciou casos de tortura, superlotação extrema e condições sanitárias deploráveis nas prisões da Guiné Equatorial.
À tarde, o papa se reunirá com detentos da prisão de Bata, capital econômica e maior cidade do país, situada à beira do Golfo da Guiné.
Também conversará com familiares e jovens no estádio de Bata e prestará homenagem às vítimas de um acidente que abalou essa cidade costeira em 2021, quando um incêndio desencadeou uma série de explosões em um depósito de munições que deixou mais de 100 mortos e 600 feridos.
- "Fome de futuro" -
Na terça-feira, o papa, também naturalizado peruano, exortou em espanhol a Guiné Equatorial a colocar-se "a serviço da lei e da justiça". E na quarta-feira insistiu em que o país tem "fome de futuro, mas de um futuro habitado pela esperança, que possa gerar uma nova justiça".
O tom é mais moderado do que em suas escalas anteriores na Argélia, em Camarões e em Angola, onde denunciou os "tiranos" que saqueiam o mundo, condenou a "exploração" por parte dos ricos e poderosos e confrontou o presidente americano, Donald Trump, depois que este criticou o apelo do pontífice para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Leão XIV tem buscado um delicado equilíbrio na Guiné Equatorial, apoiando os fiéis sem respaldar o governo do chefe de Estado não monárquico que está há mais tempo no poder.
Cerca de 80% dos dois milhões de habitantes dessa antiga colônia espanhola são católicos. A produção de hidrocarbonetos representa 46% da economia da Guiné Equatorial e mais de 90% de suas exportações, segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento.
No entanto, segundo a ONG Human Rights Watch, "as grandes receitas do petróleo financiam estilos de vida fastuosos da pequena elite próxima ao presidente, enquanto grande parte da população vive na pobreza".
Desde o início de sua viagem de 11 dias por quatro países africanos, o papa americano emenda missas, discursos em francês, inglês, português e espanhol, voos de avião e helicóptero, encontros, cerimônias e saudações à multidão, tudo isso sob um calor tropical sufocante.
Aos 70 anos, Robert Francis Prevost, relativamente jovem para um sumo pontífice, mostra um dinamismo que contrasta com a saúde em declínio de seu antecessor argentino, Francisco, falecido há um ano, aos 88 anos.
"Ele está em plena forma, não sei como consegue", declarou na terça-feira à AFP um membro de sua delegação.
O papa concluirá na quinta-feira a viagem de 18.000 quilômetros com uma missa ao ar livre na capital da Guiné Equatorial, Malabo, antes de voltar a Roma.
W.Lapointe--BTB