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Batalha judicial entre Elon Musk e OpenAI começa na Califórnia
As alegações iniciais no julgamento entre dois titãs da tecnologia começam nesta terça-feira (28), em um caso no qual Elon Musk acusa a OpenAI, criadora do ChatGPT, de trair sua missão original de desenvolver inteligencia artificial (IA) sem fins lucrativos.
A startup de IA, hoje liderada por Sam Altman, compete no mercado com o chatbot Grok da xAI, uma das empresas pertencentes a Musk.
O julgamento acontece do outro lado da baía de San Francisco, em um tribunal de Oakland, onde os nove membros do júri foram selecionados na segunda-feira.
Os fundadores da OpenAI, Sam Altman e Greg Brockman, "estão confiantes em sua posição e esperam que se conheçam os fatos", disse seu advogado, William Savitt.
Embora o processo de Musk faça parte de uma disputa entre ele e Altman, traz à tona o questionamento de se a IA deve servir para beneficiar uma minoria privilegiada ou a sociedade como um todo.
A denúncia detalha como Altman convenceu Musk a apoiar a OpenAI em 2015, atuando como cofundador de um laboratório sem fins lucrativos cuja tecnologia "pertenceria ao mundo". Musk investiu milhões de dólares no projeto e depois se retirou.
A OpenAI criou uma subsidiária comercial quando precisou levantar centenas de bilhões de dólares para reforçar sua tecnologia com centros de dados. Hoje, a OpenAI é um gigante comercial avaliado em 852 bilhões de dólares (4,2 trilhões de reais).
- "Ego e inveja" -
Musk alega ter sido enganado sobre a missão altruísta da OpenAI. Na segunda-feira, ele publicou uma mensagem chamando o CEO da OpenAI de "Scam Altman", um trocadilho com seu nome e o termo usado em inglês (scam) para descrever fraude.
A OpenAI, com sede em San Francisco, respondeu que seu desentendimento com Musk surgiu da busca do magnata por controle absoluto, e não de seu status de organização sem fins lucrativos.
"Seu processo nada mais é do que uma campanha de intimidação motivada por ego, inveja e o desejo de sufocar um concorrente", disse a OpenAI sobre Musk em uma publicação recente no X.
A juíza Yvonne Gonzalez Rogers decidirá até o final de maio, com base nas conclusões do júri, se a OpenAI quebrou uma promessa feita a Musk em sua busca pela liderança em IA ou se simplesmente utilizou a tecnologia de forma inteligente para alcançar o domínio do mercado.
Musk exige que a OpenAI seja forçada a voltar a ser uma organização sem fins lucrativos e busca a destituição dos fundadores Altman e Brockman.
Musk, que investiu 38 milhões de dólares (188 milhões de reais, na cotação atual) nos primeiros anos da OpenAI, buscava uma indenização de até 134 bilhões de dólares (665 bilhões de reais). No entanto, abdicou de qualquer lucro pessoal e afirmou que doaria qualquer indenização à OpenAI sem fins lucrativos.
Musk, que desmantelou a equipe de confiança e segurança do Twitter após adquirir a plataforma, a qual renomeou para X, precisa convencer o júri e a juíza de que a empresa por trás do ChatGPT foi construída sobre uma mentira.
A juíza reservou-se o direito de determinar a indenização por si mesma, sem a participação do júri.
M.Ouellet--BTB