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Dois judeus ficam feridos em ataque 'terrorista' com faca em Londres
Dois homens judeus ficaram feridos, nesta quarta-feira (29), em um ataque com faca em um bairro do norte de Londres, o qual a polícia considerou um "incidente terrorista".
O ataque, no bairro de Golders Green, onde vive uma importante comunidade judaica, representa o mais recente ato de violência contra esta comunidade em Londres nas últimas semanas.
As duas vítimas, de 34 e 76 anos, "foram levadas ao hospital. O estado delas é estável", indicou a polícia em um comunicado.
O suspeito também tentou esfaquear policiais, que não ficaram feridos.
O agressor, que foi detido, tem "antecedentes de violência grave e problemas psicológicos", declarou o chefe da polícia de Londres, Mark Rowley.
O policial falava durante uma coletiva de imprensa perto do local do ataque, quando foi vaiado por algumas pessoas presentes.
O esfaqueamento foi formalmente declarado como "um incidente terrorista", informou a polícia.
"Uma das linhas de investigação é se o ataque foi dirigido deliberadamente contra a comunidade judaica em Londres", declarou o subdelegado Laurence Taylor, chefe da unidade de luta contra o terrorismo da polícia de Londres.
- Condenação de Starmer -
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse na rede X que "o ataque antissemita em Golders Green é absolutamente ultrajante. Atacar nossa comunidade judaica é atacar o Reino Unido".
O líder trabalhista expressou sua gratidão ao grupo de vigilância comunitária judaica Shomrim North West London, cujos membros imobilizaram o suspeito, e ao serviço de emergência voluntário de Golders Green, Hatzolah, que prestou socorro aos feridos.
No local do ataque, alguns moradores permaneciam perto dos cordões policiais. Uma mulher carregava um cartaz com a frase "Chega de ataques a judeus".
"É puro antissemitismo, e o antissemitismo mata. Precisamos que o governo reforce suas ações", declarou Gideon Levy, de 65 anos, à AFP.
"As palavras de condenação não são suficientes", reagiu o rabino-chefe do Reino Unido, Ephraim Mirvis, apelando a "cada instituição, comunidade, dirigente e pessoa deste país que tome medidas concretas".
Imagens de câmeras de vigilância compartilhadas nas redes sociais mostram um homem se atirando contra um morador em um ponto de ônibus e o atacando instantes após ele colocar um quipá na cabeça.
Após o esfaqueamento, o Ministério das Relações Exteriores de Israel instou o governo britânico a tomar medidas.
"Após os ataques a sinagogas, instituições judaicas, ambulâncias comunitárias e agora judeus atacados em Golders Green, o governo britânico já não pode afirmar que isto está sob controle", afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel no X.
Para o ministério, as declarações de Starmer "não substituem a necessidade de enfrentar as raízes do antissemitismo que proliferam no Reino Unido". Chega de palavras. O Reino Unido deve atuar de forma decisiva e urgente".
- Ataques anteriores -
No final de março houve um ataque de caráter antissemita contra ambulâncias da Hatzolah, seguido de outros contra uma sinagoga no bairro de Harrow e contra a sede de uma organização beneficente judaica.
Não houve mortes nestes ataques, mas eles suscitaram preocupação na comunidade judaica.
A polícia deteve 26 pessoas relacionadas a estes ataques, ocorridos após o início da ofensiva israelense-americana contra o Irã.
A polícia de Londres reforçou sua presença no bairro de Golders Green.
Estes acontecimentos aumentaram a preocupação da comunidade judaica britânica, já traumatizada pelo ataque contra uma sinagoga de Manchester em 2 de outubro de 2025.
Neste ataque, duas pessoas morreram e três ficaram gravemente feridas.
Grupos de monitoramento relataram um aumento dos incidentes antissemitas e islamofóbicos no Reino Unido.
Community Security Trust registrou 3.700 casos de atos contra membros da comunidade judaica no Reino Unido no ano passado, um aumento de 4% em relação a 2024, embora inferior ao de 2023.
J.Bergmann--BTB