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Começam as deliberações no julgamento entre Elon Musk e OpenAI
O julgamento entre Elon Musk e a gigante da inteligência artificial OpenAI, incluindo seu CEO, Sam Altman, acusado de abandonar a missão original da empresa, entra na fase de deliberação nesta segunda-feira (18).
O julgamento acontece em Oakland, nos arredores de San Francisco, onde os principais magnatas do Vale do Silício prestaram depoimento nas últimas três semanas.
Musk, a pessoa mais rica do mundo, processou a OpenAI por supostamente se desviar de suas origens como uma organização sem fins lucrativos para se tornar o gigante de 850 bilhões de dólares (4,3 trilhões de reais, na cotação atual) por trás do ChatGPT.
Se bem-sucedido, o processo pode representar um golpe fatal para a OpenAI, empresa que contribuiu para a revolução da inteligência artificial com o lançamento do ChatGPT em 2022 e que atualmente é uma das empresas privadas mais valiosas do mundo.
Musk alega que Altman e o cofundador da OpenAI, Greg Brockman, fizeram um uso equivocado de uma doação dele de 38 milhões de dólares (192 milhões de reais, no câmbio atual), que ele esperava que ajudasse a manter a empresa como um laboratório de pesquisa para o benefício da humanidade.
Musk exige que a OpenAI retorne ao seu status de organização sem fins lucrativos, o que forçaria a empresa a abandonar sua planejada estreia na bolsa de valores e romper laços com seus principais investidores — Microsoft, Amazon e SoftBank — que injetaram bilhões na empresa em meio à corrida global pela liderança em IA.
- Em quem acreditar? -
Para o júri de nove pessoas, como salientou a juíza Yvonne Gonzalez Rogers, a decisão pode se resumir a uma simples pergunta: em qual dos magnatas devem acreditar?
"Uma organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento seguro da inteligência artificial (...) para o benefício da humanidade. Supõe-se que devemos acreditar nisso", ironizou o advogado de Musk, Steven Molo, em seu argumento final na quinta-feira, questionando a integridade de Altman.
A advogada da OpenAI, Sarah Eddy, rebateu atacando Musk.
"Nem mesmo a mãe de seus filhos pode corroborar sua versão", disse ela, referindo-se a Shivon Zilis, sócia de Musk com quem ele tem quatro filhos, que testemunhou sobre seu papel como intermediária entre os executivos de tecnologia.
Musk deixou a OpenAI em 2018 e, desde então, impulsionou projetos de IA por meio de sua empresa aeroespacial, a SpaceX, enquanto sua própria startup de inteligência artificial, a xAI, tem lutado para ganhar terreno contra a OpenAI e a Anthropic, outra empresa líder em IA na Califórnia.
Os argumentos finais do julgamento se concentraram principalmente na integridade de Altman e nas manobras que ele realizou nos bastidores, as quais geraram desconforto entre seus colegas.
Demitido inesperadamente em novembro de 2023 pelo conselho da OpenAI por falta de sinceridade, ele foi reintegrado sob pressão dos funcionários. No entanto, acusações de manipulação e de fomento de uma cultura tóxica o perseguiram durante todo o julgamento.
- Tarde demais? -
O júri deve primeiro determinar se Musk, que entrou com o processo em 2024, quatro anos após sua última contribuição, o fez dentro do prazo legal. Caso contrário, o caso será arquivado.
A juíza determinou que o veredicto do júri sobre essa questão seria consultivo, embora tenha indicado que provavelmente seguiria sua recomendação.
Caso o julgamento prossiga, o júri e, em última instância, a juíza determinarão se os cofundadores da OpenAI se apropriaram indevidamente dos 38 milhões de dólares doados por Musk e se quebraram uma promessa e seguiram um caminho comercial para se enriquecerem.
O júri também avaliará se a Microsoft — a maior investidora privada da OpenAI, com um investimento comprometido de 13 bilhões de dólares (65,8 bilhões de reais) — facilitou conscientemente o abandono do modelo sem fins lucrativos.
J.Fankhauser--BTB