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Ex-premiê espanhol Zapatero investigado por suposto tráfico de influência
O socialista José Luis Rodríguez Zapatero se tornou o primeiro ex-chefe de Governo espanhol na democracia a ser indiciado, após a Justiça anunciar nesta terça-feira (19) que o investiga por tráfico de influência no caso do resgate público da companhia aérea Plus Ultra, vinculada a capitais venezuelanos.
A Audiência Nacional, uma jurisdição com sede em Madri, anunciou que convocou o ex-primeiro-ministro para um interrogatório no dia 2 de junho pelo juiz José Luis Calama.
O magistrado ordenou operações de busca nesta terça-feira no escritório de Zapatero em Madri e em outras três empresas, uma delas pertencente às filhas do ex-premiê, segundo a imprensa espanhola.
Zapatero, primeiro-ministro de 2004 a 2011, é investigado por supostos crimes de organização criminosa, tráfico de influência e falsificação de documentos.
A Plus Ultra recebeu um empréstimo de 53 milhões de euros (62 milhões de dólares, 309 milhões de reais na cotação atual) de dinheiro público em março de 2020, coincidindo com o início da pandemia de covid-19.
Na época, a Plus Ultra só operava rotas em 2021 com o Equador, Peru e Venezuela, com quatro aviões Airbus A-340.
A companhia, no entanto, foi beneficiada por um empréstimo de emergência concedido pelo Executivo do socialista Pedro Sánchez, graças a um fundo especial de 10 bilhões de euros destinado ao resgate de empresas "estratégicas" em dificuldades devido à pandemia de covid-19.
Segundo o jornal El País, que cita fontes próximas à investigação, as investigações se concentram em uma empresa de consultoria de um aliado de Zapatero, que teria atuado como intermediária financeira para o pagamento de comissões ocultas.
O resgate da Plus Ultra provocou polêmica na Espanha e foi criticado pela oposição de direita, que apontou os vínculos da empresa com a Venezuela.
O então ministro espanhol dos Transportes na época, José Luis Ábalos, se reuniu em Madri em janeiro de 2020 com a número dois do governo venezuelano, Delcy Rodríguez, atualmente presidente interina do país sul-americano, apesar de Rodríguez ter a entrada proibida na União Europeia na ocasião.
Atualmente, Ábalos está na prisão, investigado por corrupção e à espera do veredicto em um julgamento por irregularidades na compra de máscaras durante a pandemia.
Após a notícia do indiciamento de Zapatero, o Partido Popular (PP, direita) voltou a atacar atual o primeiro-ministro.
"Zapatero é a musa do 'sanchismo' (como se referem ao governo de Pedro Sánchez) e essa musa foi indiciada pela Audiência Nacional", afirma um comunicado do partido.
"O princípio que vincula os dois últimos presidentes de governo socialistas da Espanha é a corrupção", acrescenta a nota.
Além de seu ex-braço direito e ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, vários integrantes do círculo de Sánchez são objetos de investigações judiciais, entre eles seu irmão David, que será julgado em breve por tráfico de influência, e sua esposa, Begoña Gómez.
Até agora, nenhum primeiro-ministro ou ex-premiê havia sido processado na Espanha, embora quase todos eles desde o fim da ditadura – como Sánchez, o também socialista Felipe González e os conservadores Mariano Rajoy e José María Aznar – tenham sido convocados a depor em investigações ou julgamentos, na qualidade de testemunhas.
J.Horn--BTB