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Microsoft completa 50 anos em meio a desafio da IA
Em 4 de abril, a Microsoft completa 50 anos de inovações tecnológicas que levaram ao sucesso em Wall Street e tornaram seus sistemas computacionais indispensáveis, embora nunca tenha conseguido seduzir o público em geral.
"Eles têm a imagem de uma empresa chata e um desempenho chato no mercado de ações", diz Jeremy Goldman, analista da eMarketer.
Entediante, mas lucrativa: sua capitalização de mercado está entre as mais elevadas do mundo (quase US$ 3 trilhões ou R$ 17,3 trilhões, na cotação atual), perdendo apenas para a Apple.
A Microsoft é impulsionada principalmente pela nuvem (computação remota), um setor de rápido crescimento cujo poder aumentou ainda mais com a demanda por Inteligência Artificial (IA) generativa.
"Ela não tem uma infraestrutura muito atraente, mas é muito valiosa; gera muito dinheiro", ressalta Goldman.
Quando criaram a empresa, em 1975, os sócios fundadores, Bill Gates e Paul Allen, lançaram um sistema operacional, MS-DOS, cujo sucesso rendeu uma fortuna à companhia.
Posteriormente renomeado Windows, o sistema opera a maioria dos computadores do planeta.
O software Microsoft Office (Word, Excel, PowerPoint) tornou-se sinônimo de ferramentas de trabalho, embora a concorrência do Google Docs tenha levado a uma reformulação.
"O fato de o Office continuar sendo um negócio importante para a Microsoft diz muito sobre sua capacidade de inovar", disse Goldman.
A empresa encontrou uma forma de criar um produto baseado em assinatura na nuvem. Sem isso, com o advento dos serviços gratuitos e premium, sua participação no mercado poderia ter se reduzido a zero.
- "Calcanhar de Aquiles" -
Mas no quesito aplicativos, a Microsoft está muito atrás das redes sociais mais populares, dos smartphones do momento e dos versáteis assistentes de IA.
A empresa com sede em Redmond, Washington, fez várias tentativas para reverter esta situação. Em 2001, lançou o console de videogame Xbox e, oito anos depois, o buscador Bing. Em 2016, adquiriu a rede profissional LinkedIn e, em 2023, a Activision Blizzard Studios.
Também estava na disputa para comprar o TikTok, em 2020, e está entre seus possíveis compradores atuais, já que a plataforma de origem chinesa está novamente ameaçada de proibição nos Estados Unidos.
Mas, de todos os gigantes tecnológicos, "a Microsoft é a menos hábil em interfaces de usuário. Esse é realmente o calcanhar de Aquiles da empresa", argumenta Goldman.
Sob a liderança de Steve Ballmer (2000-2013), a companhia também perdeu o momento da transição para os smartphones.
Satya Nadella, seu sucessor, entendeu o potencial dos modelos de IA e investiu pesadamente na OpenAI antes mesmo de a startup se tornar uma estrela do Vale do Silício devido ao ChatGPT no final de 2022.
No ano seguinte, a empresa acreditava que poderia finalmente superar o Google em seu domínio exclusivo de buscas on-line, com um novo Bing que responde às perguntas dos usuários em linguagem cotidiana devido ao modelo de IA da OpenAI.
No entanto, a reformulação acabou sendo um fracasso, de acordo com Jack Gold, e o Google continua controlando 90% do mercado.
"Eles chegaram lá primeiro, com um produto melhor", conclui o analista independente, para quem a Microsoft está muito atrasada em IA em geral porque não tem (pelo menos por enquanto) seus próprios chips e seu próprio modelo.
O grupo está implementando rapidamente serviços de IA em sua plataforma de nuvem Azure e em seu conjunto de ferramentas de IA generativas Copilot, mas o crescimento da receita do Azure fica atrás de seus concorrentes, diz Gold.
Segundo o analista, o Google atrai startups com mais facilidade porque os preços da Microsoft são voltados para grandes organizações.
"A força de Redmond está nos sistemas de TI de grandes empresas. Eles têm todos os incentivos para se concentrar nisso, e não nos consumidores, onde já existe muita concorrência", pontua o analista.
O.Lorenz--BTB