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Premiê da Espanha defende 'ordem comercial justa' em sua visita à China
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, defendeu nesta segunda-feira (9) uma "ordem comercial justa" durante a sua visita à China, na qual se reuniu com o presidente Xi Jinping para estreitar os laços, apesar das tensões comerciais entre Pequim e a União Europeia.
"Espero que Espanha continue proporcionando um ambiente de negócios justo, igualitário, seguro e não discriminatório para as empresas chinesas que investem e operam na Espanha", declarou o presidente chinês, segundo a emissora estatal CCTV.
Após o seu encontro com Xi, Sánchez escreveu na rede X que "devemos trabalhar juntos para resolver as diferenças por meio da negociação, em um espírito de diálogo e colaboração e dentro dos marcos multilaterais".
Antes, Sánchez se encontrou, no Palácio do Povo de Pequim, com o primeiro-ministro Li Qiang, a quem afirmou que a Espanha "quer continuar fortalecendo as relações com a China".
"Queremos construir pontes para defendermos, juntos, uma ordem comercial justa (...) que permita que as nossas economias cresçam e beneficiem as nossas indústrias e cidadãos", escreveu Sánchez na rede social X.
Sánchez visitará Xangai na terça e quarta-feira, onde terá reuniões com autoridades e empresários. Também deve inaugurar uma sede do Instituto Cervantes, centro cultural espanhol.
A visita de Sánchez também acontece em um momento de tensões comerciais entre UE e China, depois que a Comissão Europeia iniciou uma série de procedimentos contra Pequim nos últimos meses.
A questão mais espinhosa é a dos veículos elétricos chineses vendidos na União Europeia.
Na abertura do fórum econômico China-Espanha em Pequim, o líder socialista celebrou os "fortes laços" que unem os dois países.
"Mesmo nos temas em que as nossas posições não coincidem plenamente, mantemos uma vontade construtiva de diálogo e cooperação", disse Sánchez em um vídeo publicado em sua conta na rede social X.
"Estamos comprometidos com o desenvolvimento de uma agenda positiva, com a busca de soluções consensuais que beneficiem todas as partes", acrescentou.
Sánchez também se reuniu com o Conselho Consultivo Empresarial Espanha-China, que chamou de "exemplo do compromisso mútuo para fortalecer e aprofundar as relações comerciais e de investimento entre os dois países".
"Nosso objetivo é claro: fomentar uma relação equilibrada, baseada no respeito e na reciprocidade, que beneficie as duas nações", destacou.
- Tensão comercial -
A sua chegada à China aconteceu pouco depois do desembarque na Espanha do opositor venezuelano e candidato à presidência Edmundo González Urrutia, que denuncia a reeleição de Nicolás Maduro.
No sábado, Sánchez declarou que a Espanha "nunca dará as costas, nem abandonará, a Edmundo González ou a qualquer venezuelano".
A China mantém fortes vínculos com o governo da Venezuela.
Também coincide com o aumento da tensão entre UE e China. A Comissão Europeia anunciou em 20 de agosto a imposição de tarifas extras por cinco anos sobre os carros elétricos procedentes da China.
No dia seguinte, a China anunciou a abertura de uma investigação sobre práticas comerciais da UE consideradas desleais em relação aos subsídios de laticínios. Também iniciou um processo similar sobre as importações de carne de porco da UE.
A Espanha é o maior exportador europeu de produtos suínos para a China, com mais de 560 mil toneladas enviadas no ano passado, pelo valor de 1,33 bilhão de dólares.
C.Meier--BTB