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EUA evita tocar no petróleo em nova rodada de sanções à Venezuela
O governo do presidente Joe Biden sancionou, nesta quinta-feira (12), 16 funcionários venezuelanos, mas optou por não endurecer ainda mais as restrições ao setor petrolífero, a menos de dois meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos.
A indústria petrolífera da Venezuela está sob sanções desde 2019. Washington levantou parcialmente as medidas por seis meses, mas as reimpôs em abril passado, considerando que o presidente Nicolás Maduro havia descumprido suas promessas eleitorais.
Ainda assim, Washington concede licenças individuais para que várias petrolíferas operem na Venezuela, como a americana Chevron, a espanhola Repsol e a francesa Maurel & Prom.
O governo americano voltou a punir o entorno de Maduro nesta quinta-feira, desta vez por "fraude eleitoral" e por reprimir a oposição "em uma tentativa ilegítima de se manter no poder à força".
A oposição afirma que Edmundo González Urrutia venceu amplamente as eleições, de acordo com as atas de votação em seu poder. Os Estados Unidos, a União Europeia e vários países latino-americanos insistem em pedir às autoridades venezuelanas que publiquem a apuração detalhada, algo que ainda não ocorreu.
Washington se limitou a impor sanções econômicas a 16 funcionários venezuelanos nesta quinta-feira, incluindo à presidente da Suprema Corte e a líderes da autoridade eleitoral, da Assembleia Nacional, militares e membros dos serviços de inteligência.
- "Muito cauteloso" -
Mas nem uma menção ao setor petrolífero. Por quê?
O governo "é muito cauteloso em tocar nas licenças que têm principalmente a Chevron", mas também duas petrolíferas europeias, explicou à AFP Francisco Monaldi, diretor do Programa Latino-americano de Energia do Instituto Baker, na Universidade de Rice, no Texas.
Isso se deve ao fato de que a volta a uma política de "restabelecimento de todas as sanções pode impactar a economia venezuelana e esse impacto pode acabar gerando mais imigrantes da Venezuela".
A migração irregular é o tema preferido do ex-presidente e candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, que disputará as eleições de 5 de novembro contra a vice-presidente democrata Kamala Harris.
Mas há outro motivo: "Eles acreditam que no passado isso não foi efetivo para fazer o governo venezuelano negociar e preferem ter algum tipo de vínculo que lhes permita ao menos negociar", acrescenta o especialista.
As licenças são importantes para Maduro, mas "se forem retiradas, ele está disposto a permanecer" no poder, considera Monaldi.
Há outras variáveis em jogo. O espaço deixado pela Chevron poderia ser ocupado pela Rússia ou pela China no país que teoricamente tem as maiores reservas de petróleo do mundo.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convidou Maduro para a cúpula dos Brics, prevista para outubro na cidade russa de Kazan.
- "Interesses nacionais" -
Um funcionário americano se esquivou de uma pergunta sobre por que não foram impostas restrições ao petróleo.
"Estamos acompanhando de perto os eventos políticos e econômicos na Venezuela e estamos comprometidos em calibrar nossa política de sanções de forma adequada, em resposta tanto aos fatos quanto aos interesses nacionais mais amplos dos Estados Unidos", respondeu em coletiva de imprensa virtual.
No Congresso, há pressões para que Joe Biden tome novas medidas.
O presidente da Comissão Judiciária do Senado americano, o democrata Dick Durbin, apresentou nesta semana um projeto de lei para acabar com a "fortaleza financeira de Maduro".
"O regime de Maduro atualmente utiliza os rendimentos petrolíferos que dependem da participação dos Estados Unidos para manter seu estado policial", afirma Durbin.
Monaldi duvida que a proposta tenha viabilidade e estima que será necessário esperar até depois das eleições para ver o que acontece.
Pode haver "uma nova política, especialmente se Trump ganhar". O republicano já impôs ao país caribenho uma série de sanções, incluindo o embargo ao petróleo e ao gás, como medida de pressão para tentar provocar a queda de Maduro.
A Venezuela viu sua produção cair de 3 milhões de barris por dia há mais de uma década para 400.000 em 2020, devido à corrupção, má gestão e sanções americanas. Atualmente, o país extrai cerca de 870.000 barris diários.
Este colapso provocou uma diversificação da economia, que depende menos do petróleo e mais de outras atividades, como as remessas.
Segundo um relatório da ONG Transparência Venezuela, "o contrabando de drogas, ouro, combustível e a corrupção em portos e aduanas aumentou nos últimos anos".
L.Janezki--BTB