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Diretora-geral do FMI pede unidade em 'tempos profundamente agitados'
A comunidade internacional deve se unir, apesar do "difícil cenário geopolítico", para enfrentar desafios comuns como um crescimento medíocre e a ameaça das mudanças climáticas, declarou, nesta quinta-feira (17), a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
Georgieva, no início de seu segundo mandato de cinco anos como chefe do FMI, discursou antes da reunião semestral desta organização financeira e do Banco Mundial, que ocorrerá na próxima semana em Washington.
A dirigente celebrou os progressos feitos na luta contra a inflação, mas advertiu sobre os perigos que ameaçam a economia global.
"A grande onda inflacionária mundial está em retirada", disse ela, acrescentando que as medidas de política monetária, a melhoria nas cadeias de suprimento e a moderação nos preços de alimentos e energia estão levando a economia de volta à direção correta: "A estabilidade de preços".
"E isso foi feito sem que a economia global entrasse em recessão ou se perdessem empregos em larga escala", completou.
Embora a taxa de inflação esteja caindo, "o nível de preços mais alto que sentimos em nossas carteiras está aqui para ficar", e os mais afetados são os países mais pobres e os consumidores em geral, afirmou.
As reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial ocorrerão com o conflito no Oriente Médio e as próximas eleições presidenciais americanas como pano de fundo.
Vão disputar as eleições, em novembro, o ex-presidente republicano Donald Trump e a vice-presidente democrata Kamala Harris.
Trump ameaçou aumentar os impostos de importação e sugeriu que o presidente dos Estados Unidos deveria ter mais peso na política monetária, uma tarefa atualmente reservada ao Federal Reserve, o banco central americano, que é independente.
Em seu discurso, Georgieva elogiou a independência dos bancos centrais em todo o mundo, juntamente com instituições financeiras internacionais como o FMI, mas advertiu que o mundo enfrenta um "cenário geopolítico difícil".
De um lado está o conflito no Oriente Médio e, do outro, o desafio de enfrentar uma "combinação implacável" de crescimento mundial medíocre e altos níveis de dívida pública.
"Vivemos tempos profundamente agitados", disse, alertando que os dividendos da paz após o fim da Guerra Fria "estão cada vez mais em perigo".
"Em um mundo com mais guerras e mais insegurança, os gastos com defesa podem continuar aumentando, enquanto os orçamentos de ajuda ficam ainda mais defasados em relação às crescentes necessidades dos países em desenvolvimento", acrescentou.
"Não devemos permitir que essa realidade se torne uma desculpa para não fazermos nada para prevenir uma maior fragmentação da economia mundial", concluiu.
O.Krause--BTB