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Trump anuncia novas tarifas no 'Dia da Libertação' dos EUA
O presidente Donald Trump anunciou que esta quarta-feira (2) será o "Dia da Libertação" para os Estados Unidos, mas as novas tarifas que ele pretende anunciar têm o poder de provocar o início da mãe de todas as batalhas comerciais.
"É o Dia da Libertação dos Estados Unidos", escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social.
"Não é o dia da libertação. É o dia da recessão", replicou o líder democrata da Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries.
Convencido de que os países "roubam" os Estados Unidos, o republicano apresentará as medidas ao lado de integrantes de seu gabinete no Jardim das Rosas da Casa Branca às 16h00 locais (17h00 de Brasília), logo após o fechamento da Bolsa de Nova York, que está oscilando, assim como o mercado de ações na Europa.
Trump sente fascínio pelo protecionismo do final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos e considera as tarifas quase como uma varinha mágica capaz de reindustrializar o país, reequilibrar a balança comercial e eliminar o déficit fiscal.
O presidente de 78 anos mantém os detalhes de seus planos em segredo.
Ele já ameaçou anunciar tarifas "recíprocas", ou seja, que Washington iguale dólar por dólar as tarifas impostas aos produtos americanos no exterior.
- Gentil -
Mas, na segunda-feira, ele prometeu ser benevolente, "muito gentil" com os parceiros econômicos.
Alguns meios de comunicação americanos sugerem que o republicano cogita adotar uma tarifa única de 20% sobre todas as importações e um tratamento preferencial para alguns países.
"Não será bom para a economia mundial, não será bom para aqueles que impõem tarifas ou para aqueles que respondem. Mudará o mundo comercial como conhecemos", declarou nesta quarta a diretora do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, à rádio irlandesa Newstalk.
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro, Trump aumentou as tarifas para produtos procedentes da China, para uma parte dos produtos do México e Canadá, parceiros dos Estados Unidos no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), e sobre o aço e o alumínio, independente de sua origem.
Na quinta-feira, um minuto após a meia-noite em Washington (1h01 de Brasília), também adotará uma tarifa adicional de 25% sobre os automóveis e autopeças fabricados no exterior.
Teoricamente, haverá uma exceção: os veículos montados no México ou Canadá serão submetidos a um imposto de 25% somente sobre a parte das peças que não procedem dos Estados Unidos.
As principais economias do planeta prometeram represálias.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou nesta quarta-feira que anunciará "um programa abrangente", embora não tenha fornecido detalhes. O país é um dos mais vulneráveis à taxação, pois envia mais de 80% de suas exportações para os Estados Unidos.
A União Europeia, por exemplo, tomará medidas "antes do final de abril", afirmou a porta-voz do governo francês, Sophie Primas. Isto será feito em duas etapas.
O magnata republicano usa as tarifas, uma de suas palavras preferidas, como uma arma de política externa desde seu primeiro mandato, de 2017 a 2021.
Ele acredita que são a panaceia que impulsionará o "renascimento" da indústria nacional.
Querem evitar as tarifas? Que se instalem nos Estados Unidos, responde Trump a quem o critica pelo impacto que as taxações podem ter para as empresas.
As consequências podem ser gigantescas. Uma única estatística aponta a dimensão: em 2024, as importações americanas alcançaram 3,3 trilhões de dólares (18,7 trilhões de reais), uma quantia superior ao Produto Interno Bruto anual de economias importantes como a da França.
Os críticos afirmam que os consumidores americanos serão afetados à medida que os importadores aumentem os preços. E não se descarta a elevação do risco de uma recessão na maior economia do mundo e em outras.
O nervosismo foi palpável nos últimos dias nas Bolsas e mantém em alerta os parceiros e rivais dos Estados Unidos e trabalhadores do país.
"As pessoas daqui vão ficar mais pobres ou perder seus empregos e terão que buscar lá" nos Estados Unidos, declarou à AFP o caminhoneiro mexicano Alejandro Espinoza, enquanto aguarda em uma fila para cruzar a fronteira.
Na terça-feira, o governo mexicano revisou em baixa a sua previsão de crescimento para 2025 devido à incerteza sobre as "tensões comerciais" com seu vizinho do norte. Espera-se que a economia cresça entre 1,5% e 2,3%, em vez da previsão de 3% anterior.
C.Meier--BTB