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UE apresenta nova estratégia para o Ártico diante de ameaças dos EUA e da Rússia
Ouro e prata batem recorde diante de temor de novas tarifas dos EUA
O ouro e a prata atingiram preços recorde nesta segunda-feira (19), após as ameaças de Donald Trump de impor tarifas a vários países europeus, que se opõem ao controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia.
Durante a sessão matinal das bolsas asiáticas, houve uma corrida para os ativos refúgio, o que levou o preço do ouro a US$ 4.690,59 (R$ 25.232, na cotação atual) por onça, enquanto a prata alcançou US$ 94,12 (R$ 506,29) por onça.
O presidente americano acirrou as tensões geopolíticas ao insistir que os Estados Unidos assumirão o controle da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, alegando motivos de segurança nacional diante dos avanços russos e chineses no Ártico.
Na última sexta-feira, após uma tentativa frustrada de resolver as divergências com as autoridades da ilha ártica e da Dinamarca, Trump anunciou que estabeleceria tarifas a oito países por se oporem às suas exigências.
Segundo ele, a partir de 1º de fevereiro, imporia tarifas de 10% sobre as importações de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Estas taxas subiriam para 25% até 1º de junho caso continuassem sua oposição, indicou o republicano.
Em reação, o preço do ouro e da prata, considerados investimentos seguros, aumentou, enquanto o dólar se desvalorizou e os futuros europeus e americanos despencaram.
As bolsas de Tóquio, Hong Kong, Xangai, Sydney, Singapura e Wellington caíram na abertura desta segunda-feira. No entanto, registraram-se altas nas bolsas de Seul e Taipé.
- Possíveis respostas -
Diante da gravidade da situação, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, anunciou uma cúpula extraordinária dos líderes da União Europeia "nos próximos dias", após uma reunião de emergência dos embaixadores dos países do bloco.
"Juntos, nos mantemos firmes em nosso compromisso de defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca", afirmou, por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no X.
Paralelamente à busca de uma solução diplomática, os países europeus pediram à Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) que examine possíveis respostas.
O mandatário francês, Emmanuel Macron, indicou que tinha a intenção de solicitar a ativação do poderoso instrumento anticoerção da UE em caso de novas tarifas americanas.
Este instrumento, chamado de "bazuca comercial", permite limitar as importações de um país ou o seu acesso a determinados mercados públicos e bloquear certos investimentos.
Outra possível resposta para os países do bloco seria reativar medidas de retaliação sobre uma lista no valor de 93 bilhões de euros (R$ 580 bilhões) em produtos americanos.
Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos na Saxo Markets, salientou que o ponto-chave será ver se a situação passa da retórica a medidas concretas.
"Não é o mesmo mencionar o instrumento anti-coerção como um sinal simbólico e ativá-lo realmente como uma medida formal", observou.
K.Brown--BTB