Berliner Tageblatt - Cresce conflito por portos do Canal do Panamá, Hutchison ameaça Maersk

Cresce conflito por portos do Canal do Panamá, Hutchison ameaça Maersk
Cresce conflito por portos do Canal do Panamá, Hutchison ameaça Maersk / foto: © AFP

Cresce conflito por portos do Canal do Panamá, Hutchison ameaça Maersk

A empresa de Hong Kong CK Hutchison Holdings ameaçou nesta quinta-feira (12) adotar medidas legais contra a dinamarquesa Maersk caso assuma a operação de dois portos cuja concessão foi cancelada pelo Panamá, o que intensifica o conflito no canal em meio à disputa entre China e Estados Unidos.

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Em janeiro, a Suprema Corte do Panamá declarou "inconstitucional" o contrato que, desde 1997, permitia à Hutchison operar sob concessão os portos de Balboa, no Pacífico, e Cristóbal, no Atlântico. A decisão gera incerteza sobre o funcionamento desses terminais localizados estrategicamente nas entradas do canal.

Após a sentença, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, que enfrenta pressões dos Estados Unidos pela presença chinesa no canal, anunciou que a Maersk assumiria temporariamente esses portos até a definição de uma nova concessão.

Mas a Hutchison Holdings afirmou nesta quinta-feira, em comunicado, que "qualquer ação" para assumir a administração ou operação dos portos sem seu consentimento "dará lugar a ações legais" contra a Maersk ou qualquer de suas subsidiárias.

A empresa de Hong Kong também acusou o Estado panamenho de não oferecer "garantias nem clareza sobre suas operações" e advertiu que, se a decisão judicial for executada, "o resultado imediato seria a impossibilidade de operar" os dois terminais.

- Maersk se distancia -

Uma fonte da Maersk ouvida pela AFP afirmou que a companhia não comentaria as ameaças da Hutchison.

A fonte remeteu a um comunicado anterior no qual a empresa APM Terminals, subsidiária independente da A.P. Moller-Maersk, afirma que "não faz parte dos processos legais em curso nem participa de decisões sobre a estrutura e a administração futura - de curto ou longo prazo - dos portos de Balboa e Cristóbal".

"A APM Terminals manifestou sua disposição de assumir temporariamente a operação de ambos os terminais para mitigar riscos que possam afetar serviços essenciais para o comércio regional e global", acrescenta o comunicado.

Segundo a Suprema Corte, a concessão, renovada por mais 25 anos em 2021, era "inconstitucional" e apresentava "inclinação desproporcional a favor da empresa", prejudicando o Estado.

A Panama Ports Company (PPC), subsidiária da Hutchison que opera os portos, anunciou que recorrerá da decisão à Câmara de Comércio Internacional (ICC), com sede em Paris, por considerar que sofreu "graves danos", e denunciou "uma campanha do Estado" contra a empresa.

- "Alto preço" -

A decisão foi comemorada pelos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, havia ameaçado retomar o controle do canal sob o argumento de que a China o controla por meio dos portos operados pela Hutchison, embora a via marítima seja administrada por uma autoridade panamenha autônoma.

Em meio à disputa, a China, por meio do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, advertiu na terça-feira que o Panamá pagaria "um alto preço" por cancelar a concessão.

"O Panamá é um país digno e não vai se deixar ameaçar por nenhum país sobre a Terra", respondeu pouco depois Mulino.

A decisão ocorreu em meio a um processo prolongado de venda dos portos anunciado pela Hutchison em março de 2025, para transferir sua participação a um consórcio liderado pela americana BlackRock por 22,8 bilhões de dólares (R$ 119,35 bilhões). Os portos panamenhos estão incluídos nesse pacote.

Os Estados Unidos, que inauguraram o canal em 1914, e a China são os principais usuários da rota por onde transita cerca de 5% do comércio marítimo mundial.

O canal foi construído pelos Estados Unidos e transferido ao Panamá em 31 de dezembro de 1999, em virtude dos tratados bilaterais.

L.Janezki--BTB