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CEO da OpenAI defende regulamentação da IA; líderes mundiais pedem democratização da tecnologia
O CEO da influente plataforma OpenAI, Sam Altman, pediu nesta quinta-feira (19) a adoção urgente de uma regulamentação sobre o uso da inteligência artificial (IA), ao mesmo tempo que vários líderes mundiais defenderam a democratização dessa tecnologia.
Durante uma reunião de cúpula na Índia sobre os riscos da IA, Altman, à frente da OpenAI e do seu famoso robô conversacional ChatGPT, afirmou que o mundo precisa regulamentar "urgentemente" a tecnologia em rápida evolução.
"A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere", disse.
"Isto não quer dizer que não precisamos de qualquer regulamentação ou medida de segurança", ressaltou Altman. "É óbvio que precisamos delas, com urgência, assim como precisamos para outras tecnologias potentes", completou.
O anfitrião do encontro, Modi, afirmou que é necessário "democratizar a IA". Ela deve se tornar um meio de "inclusão e empoderamento, sobretudo para o Sul Global".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo aos magnatas da tecnologia para que apoiem a criação de um fundo global de 3 bilhões de dólares (15 bilhões de reais) para garantir que a IA seja acessível a todos.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu homólogo francês, Emmanuel Macron, também participam do evento, ao lado de outros chefes de Estado. Espera-se que, no fim de semana, seja assinada uma declaração destinada a regular o uso da IA.
A programação de discursos também inclui o diretor do Google DeepMind, Demis Hassabis.
Também estava previsto um discurso do magnata Bill Gates, mas o cofundador da Microsoft cancelou sua participação em meio ao escândalo provocado pela presença de seu nome nos arquivos do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein. Gates insiste que não cometeu nenhum crime.
Impulsionada pelos sólidos resultados nas Bolsas das empresas de tecnologia, a revolução provocada pela IA alimenta preocupações em todo o planeta sobre seu impacto no meio ambiente, nos empregos, na criação artística, na educação e na informação.
O francês Macron disse, por sua vez, que seu governo está determinado a assegurar uma supervisão segura da IA: "A mensagem que vim transmitir é que estamos determinados a continuar definindo as regras do jogo e a fazê-lo com nossos aliados, como a Índia".
"A Europa não se concentra cegamente na regulamentação: a Europa é um espaço para inovação e investimento, mas é um espaço seguro", acrescentou.
- "Transformação espetacular" -
Outro dos principais temores sobre a IA envolve as consequências para o mercado de trabalho, especialmente na Índia, onde milhões de pessoas trabalham em centros de atendimento telefônico e serviços de assistência técnica.
Com seus 1 bilhão de internautas, a Índia se vangloria de ser o primeiro país em desenvolvimento a organizar esta cúpula, a quarta dedicada a esta tecnologia, que começou na segunda-feira.
Na terça-feira, o ministro de Tecnologias da Informação indiano, Ashwini Vaishnaw, anunciou que o país espera atrair, em dois anos, 200 bilhões de dólares em investimentos de empresas de tecnologia para o seu território, em particular para projetos de IA.
Esta soma inclui US$ 90 bilhões já revelados no ano passado para a construção de centros de dados por parte de Google, Microsoft e outras empresas, atraídas por uma mão de obra abundante, capacitada e barata que já transformou a Índia em um campeão da terceirização.
"Desde a minha infância [passada] em Chennai, a Índia tem experimentado uma transformação espetacular", destacou nesta quarta-feira à imprensa Sundar Pichai, nascido no país asiático e diretor-geral da Alphabet, a empresa matriz do Google.
- Contratos -
Nesta quinta-feira, a OpenAI e a empresa local Tata Consultancy Services (TCS) anunciaram a construção de um centro de dados na Índia.
A número um mundial em semicondutores para IA, Nvidia, anunciou na quarta-feira uma associação com o provedor indiano de centros de dados e serviços na nuvem L&T, com sede em Mumbai (oeste), para criar "a maior fábrica de IA da Índia".
O Google anunciou a construção de novos cabos submarinos a partir do país asiático, como parte de um gigantesco investimento que prevê, além disso, a construção do maior centro de dados da empresa fora do território dos Estados Unidos na cidade de Visakhapatnam (sudeste).
No ano passado, a Índia ocupou o terceiro lugar, à frente da Coreia do Sul e do Japão, na classificação mundial anual de competitividade em matéria de IA elaborada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
Apesar dos muitos contratos e investimentos anunciados, os organizadores da cúpula foram alvo de críticas pelos congestionamentos nos pontos de entrada e outros problemas, especialmente no primeiro dia.
D.Schneider--BTB