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Trump demite Kristi Noem, rosto da ofensiva contra a imigração
O presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (5) a demissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, um dos principais nomes da ofensiva do governo americano contra a imigração.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump informou que Markwayne Mullin, senador republicano por Oklahoma, substituirá Kristi no comando do poderoso Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês) a partir de 31 de março.
Segundo o presidente, Kristi, 54, será sua enviada especial para uma nova iniciativa de segurança no continente americano, que será apresentada no próximo sábado.
Segundo veículos de comunicação, Trump estava incomodado com a forma como Kristi lidou com uma operação recente contra imigrantes sem documentos em Minnesota, durante a qual agentes federais mataram a tiros dois americanos.
Informações divulgadas pela imprensa também apontam que Trump se aborreceu nesta semana com declarações de Kristi durante uma audiência no Senado, na qual ela afirmou que o presidente havia aprovado uma campanha publicitária do DHS de US$ 220 milhões (R$ 1,15 bilhão) em que ela tinha um papel de destaque.
Kristi "cumpriu sua função com folga e alcançou muitos e excelentes resultados (especialmente na Fronteira!)", afirmou Trump.
Mãe de três filhos, Kristi é considerada um pilar do movimento Maga (iniciais em inglês de 'Tornar os Estados Unidos grandes de novo'), que reúne os trumpistas mais fervorosos dentro do Partido Republicano. Ela é a primeira integrante do gabinete de Trump demitida no segundo mandato do presidente.
- 'Guerreiro Maga' -
Trump descreveu Mullin como um "guerreiro Maga" e afirmou que ele será um secretário "espetacular".
"Markwayne trabalhará incansavelmente para manter nossa fronteira segura, conter os crimes cometidos por imigrantes, assassinos e outros criminosos que tentam entrar ilegalmente no nosso país, acabar com o flagelo das drogas ilegais e fazer com que os Estados Unidos sejam seguros outra vez", assegurou Trump.
A nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado, onde os republicanos detêm a maioria.
Mullin declarou que seu objetivo será "manter a pátria segura". "Acredito que haja margem para construir sobre o conquistado, e também para melhorar o que não saiu como o esperado."
Já Kristi, conhecida por suas posições ultraconservadoras sobre imigração, aborto e porte de armas, agradeceu a Trump por seu novo cargo, e destacou "as conquistas históricas" no DHS. "Três milhões de estrangeiros ilegais deixaram os Estados Unidos", publicou no X.
- 'Desperdício' -
Congressistas democratas comemoraram a saída de Kristi. "Ela foi o rosto de uma campanha de deportações em massa impopular, ilegal e extremamente perigosa, que tirou a vida de americanos inocentes e aterrorizou muitos outros", disse o senador Dick Durbin.
Já seu colega Adam Schiff, da Califórnia, comentou que Kristi "deveria ter sido demitida há muito tempo". "É preocupante que o que parece ter provocado a demissão tenha sido sua campanha de relações públicas (...) esse desperdício de dinheiro do contribuinte que, em grande parte, promoveu", criticou.
Kristi foi alvo de críticas bipartidárias durante a audiência do Senado, na terça-feira, sobre a ofensiva migratória do governo Trump. "Sob sua liderança, o DHS careceu de qualquer bússola moral ou respeito pelo Estado de Direito", disse a Kristi o senador Dick Durbin, democrata de Illinois.
Durbin e outros democratas pediram reiteradamente que Kristi se desculpasse pela morte de dois americanos alvejados por agentes federais em Minnesota durante os protestos contra a ofensiva migratória, e por tê-los classificado como "terroristas internos".
O senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte, pediu a demissão de Kristi e descreveu a gestão dela como um "desastre".
O senador John Kennedy, republicano da Luisiana, interrogou a secretária sobre os 220 milhões de dólares que o DHS gastou em anúncios de TV que pediam para os imigrantes em situação irregular se autodeportarem. Kristi afirmou que a campanha publicitária havia sido "eficaz". "Foi eficaz para que seu nome se tornasse mais conhecido", retrucou Kennedy.
A demissão de Kristi ocorre em meio ao fechamento parcial do DHS por falta de orçamento. Os democratas se opõem a destinar novos recursos para o Departamento até que sejam implementadas mudanças importantes na forma como opera o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, sigla em inglês).
P.Anderson--BTB