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Irã informou aos Estados Unidos condições para reabertura de Ormuz
Governo Trump pede calma ante alta do petróleo, mas empresários são céticos
Um alto funcionário do governo Trump afirmou, nesta segunda-feira (23), que as repercussões da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia serão "temporárias", uma opinião que não é compartilhada por muitos empresários reunidos no Texas no maior evento mundial de energia.
Até a sexta-feira, a cidade americana de Houston sedia o CERAWeek, um fórum que reúne 10.000 diretores e atores de um setor abalado pela guerra e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
O governo de Donald Trump, envolvido no conflito contra o Irã ao lado de Israel, enfrenta a muito impopular alta dos preços em postos de gasolina a poucos meses das eleições de meio de mandato.
Mas estas perturbações são "temporárias", argumentou, nesta segunda-feira, o secretário de Energia, Chris Wright, na abertura do evento, diante de um auditório lotado.
Um pouco mais tarde, em entrevista ao canal de televisão CNBC, Wright se dirigiu ao "povo americano": "Atualmente, estamos atravessando turbulências no curto prazo, mas as vantagens no longo prazo serão enormes. Pensem nos próximos anos e décadas para vocês e seus filhos: vão ver um mundo muito melhor".
Ele acrescentou que o governo faz "tudo o possível para mitigar estas perturbações". Entre as medidas tomadas, os Estados Unidos suspenderam parte das sanções impostas ao petróleo russo e iraniano destinadas a secar as fontes de receita destes países.
Praticamente ao mesmo tempo, Trump assegurava, na Flórida, que os Estados Unidos estavam negociando o fim das hostilidades com autoridades iranianas não identificadas, o que fez caírem imediatamente os preços do petróleo em mais de 10%.
- "Reconstruir as reservas" -
Grandes dirigentes do Golfo cancelaram sua participação no CERAweek por causa da guerra, entre eles, os das gigantes nacionais saudita (Saudi Aramco) e emiradense (Adnoc).
No entanto, o magnata do petróleo Sultan Al Jaber, diretor-geral da Adnoc, enviou uma mensagem de vídeo que contrastou com o tom tranquilizador dos americanos.
O bloqueio de fato do Estreito de Ormuz por parte do Irã constitui um "terrorismo econômico contra todos os países", declarou. "Não devemos permitir que nenhum país faça Ormuz refém, nem agora, nem no futuro", acrescentou.
O máximo dirigente da petroleira americana Chevron, Mike Wirth, considerou que os mercados da energia tenderam a subestimar o impacto do conflito, ao apostar em uma solução rápida.
"A Ásia, em particular, enfrenta preocupações reais em relação ao abastecimento" de petróleo e produtos derivados, assinalou. Mesmo depois do fim do conflito, "será preciso tempo para reconstruir as reservas", advertiu, ao que vão se somar os prazos necessários para o reparo das infraestruturas danificadas.
Patrick Pouyanné, diretor-executivo do grupo francês TotalEnergies, previu preços do gás "muito elevados até o verão" boreal se o Estreito de Ormuz não for reaberto, e antecipou que a Europa precisaria de muito gás para encher suas reservas antes do inverno.
- Adeus eólica, olá petróleo -
O início do CERAweek também foi marcado pelo anúncio de que a TotalEnergies vai recuperar do governo americano cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões, na cotação atual) para compensar o abandono de suas duas concessões de projetos de parques eólicos marinhos nos Estados Unidos.
Durante o governo do ex-presidente Joe Biden (2021-2025), os Estados Unidos tinham acelerado no avanço da construção de parques eólicos como parte de sua luta contra as mudanças climáticas, mas Trump voltou atrás na iniciativa.
Segundo Trump, os parques eólicos enfeiam a paisagem e produzem eletricidade cara. Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, ele reativou a produção de carvão e fomentou a de petróleo e gás.
Em Houston, o diretor-executivo da TotalEnergies afirmou que a energia eólica marinha "não é o método mais barato para produzir eletricidade" nos Estados Unidos.
"Este governo acredita nas realidades energéticas, não nos fantasmas climáticos", afirmou, por sua vez, o secretário do Interior de Trump, Doug Burgum.
P.Anderson--BTB