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O chavismo está 'ferido' e se desmantela por ordem de Trump, diz María Corina
A líder opositora venezuelana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou nesta terça-feira (24), em entrevista à AFP, que o governo de Delcy Rodríguez se desmantela aos poucos por ordem do presidente americano, Donald Trump, como parte de um processo de transição.
Aplaudida de pé pelos participantes do fórum mundial de energia CERAWeek, nos Estados Unidos, María Corina disse que participará do "processo eleitoral" quando eleições presidenciais forem novamente convocadas em seu país. Ela foi recebida com abraços no centro da cidade de Houston por centenas de venezuelanos residentes.
P: A senhora chega para promover oportunidades de investimento na Venezuela, um país com a maior reserva global de petróleo, mas é o momento de entrar, quando ainda permanece um governo que amedronta os mercados?
R: O momento chegou. Estamos há anos tentando convencer o mundo das realidades. As maiores reservas de petróleo do mundo, as oitavas de gás natural, no coração das Américas, uma região sem conflitos bélicos. A Venezuela tem custos de produção competitivos. Tem tudo. O que falta é o marco institucional e as condições de segurança para investimentos de longo prazo. E isso já está em processo de construção.
E a abertura do setor petrolífero, como estamos propondo, nunca foi vista no país. Ou seja, ir 100% para o setor privado, onde o Estado assume um papel regulador e de incentivar, promover e proteger o investimento estrangeiro.
P: Mas as garantias para novos investimentos não viriam com um próximo governo? O chavismo permanece...
Isso é verdade. Mas o presidente dos Estados Unidos e o secretário de Estado (Marco Rubio) propuseram uma transição que tem três etapas. E também disseram que elas não são sequenciais, mas podem se sobrepor. E a terceira é uma transição na qual haverá eleições limpas, livres, que vão gerar autoridades legítimas para um país que vai se transformar completamente.
P: A senhora voltou a falar com o presidente Trump desde o último encontro em janeiro?
R: Sim, voltei a falar com o presidente Trump. Mas, naturalmente, o conteúdo de nossas conversas é privado. Evidentemente falamos de todos os temas que afetam a Venezuela.
P: A senhora é a última sobrevivente de um grupo de políticos que tentaram, sem sucesso e com apoio de Washington, derrotar o chavismo. A ausência de Maduro muda as coisas?
R: Tudo é diferente. A sociedade venezuelana. O regime está ferido. Irremediavelmente. E está sendo desmantelado. De fato, seguindo instruções do presidente Trump, estão desmantelando suas próprias estruturas repressivas e de corrupção. Um passo importantíssimo para avançar rumo à transição. Mas essa transição já está em curso.
P: O governo de Delcy Rodríguez dá garantias para que a senhora possa voltar?
R: Claro que vou voltar para a Venezuela. Isso foi a primeira coisa que disse quando cheguei a Oslo. E venho repetindo todos estes dias. Porque saí com uma missão. Estou cumprindo. (...) Se dependesse de mim, já teria voltado há dias.
P: O que falta para que retorne?
R: Tenho que terminar algumas tarefas que estão em andamento. Fiquei 12 anos sem sair do país. (...) Estou muito emocionada com o que sei que está acontecendo na Venezuela hoje. Isso, claro, por um lado é o drama humano. Estamos falando de um país com mais de 600% de inflação, onde não há luz, não há água, não há educação, onde as pessoas estão passando fome. Mas, por outro lado, há essa expectativa tão grande que foi gerada pela ação do presidente Trump e pelo fato de que Nicolás Maduro [capturado por tropas americanas em 3 de janeiro] esteja enfrentando a Justiça internacional.
P: A senhora ainda tem esperança de se tornar presidente da Venezuela?
R: Os venezuelanos vão ter a oportunidade de escolher quem querem que os represente. Pelos valores, pelas ideias, pela visão, pela confiança. E essa é uma decisão que será tomada pelos venezuelanos.
A sociedade venezuelana não vai permitir que isso se desvie. Vamos manter o rumo e será uma transição ordenada, pacífica, sem demora, que permitirá que todo o país faça parte deste grande projeto nacional. E eu volto à Venezuela no contexto de um grande acordo nacional que estamos formulando, naturalmente com as diferentes expressões políticas e sociais, que nasce de baixo para cima.
Foi construída uma força que nos uniu, que vai muito além de uma campanha eleitoral. E, naturalmente, estarei nesse processo eleitoral. E, naturalmente, os venezuelanos decidirão livremente quem quiserem. E eu vou servir ao meu país onde eu puder ser mais útil.
O.Krause--BTB