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Começa em Madri julgamento por corrupção que assombra premiê e socialistas
O julgamento por corrupção contra o ex-ministro José Luis Ábalos, que foi muito próximo do chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, foi iniciado, nesta terça-feira (7), em Madri, um evento embaraçoso para os socialistas, que chegaram ao poder com promessas de limpeza.
A ação, que visa o ex-homem de confiança de Sánchez em um caso relacionado à compra de máscaras durante a pandemia, ocorre no Tribunal Supremo de Madri e se estenderá até o fim do mês.
Ábalos, para quem o Ministério Público pede 24 anos de prisão, estará no banco dos réus ao lado de seu ex-assessor, Koldo García, e do empresário Víctor de Aldama.
O irmão de Koldo García, Joseba García, que foi uma das primeiras testemunhas a depor, assegurou ter ido à sede dos socialistas, em Madri, para coletar envelopes com dinheiro para seu irmão.
"Estive duas vezes, que me lembre, e as duas para isso", explicou Joseba García, embora os socialistas tenham negado que o esquema em julgamento tenha algo a ver com o financiamento ilegal do partido.
Também testemunharam por escrito a presidente do Congresso, a socialista Francina Armengol, e o ministro Ángel Víctor Torres, que eram presidentes regionais durante a pandemia e negaram irregularidades na compra das máscaras.
Ábalos, que declara inocência e apareceu com um semblante sereno ao se apresentar à Justiça, chefiou a pasta dos Transportes entre 2018 e 2021, e é alvo de acusações de corrupção, desvio de verbas, tráfico de influência e associação criminosa.
"Ninguém pode prever os comportamentos de todas as pessoas que nos cercam", defendeu-se, nesta terça-feira, a porta-voz do governo, Elma Saiz. "Agora é o momento da Justiça, que tem que fazer seu trabalho", afirmou, quando perguntada se deveria haver demissões entre os socialistas.
- Oposição acusa Sánchez -
Há meses, o caso alimenta as críticas da oposição, que voltou a exigir a demissão de Sánchez. Vários de seus colaboradores mais próximos também são investigados em outros casos.
"A corrupção do PSOE se senta hoje no banco dos réus", afirmou no X Miguel Tellado, porta-voz do Partido Popular (PP, conservador), acusando Sánchez de não ter dado, nem assumido "explicações, nem responsabilidades".
O julgamento ocorre com as eleições 17 de maio na Andaluzia no horizonte, nas quais, segundo as pesquisas, os socialistas poderiam sofrer mais uma derrota em eleições regionais, após as amargadas em Extremadura, Aragão e Castela e Leão.
Ábalos está em prisão preventiva desde novembro de 2025 e renunciou ao mandato no fim de janeiro.
Segundo o Ministério Público, os três acusados integravam um "convênio criminoso", orientado ao enriquecimento pessoal, ao aproveitar o cargo de Ábalos para favorecer em licitações empresas vinculadas a De Aldama.
Em conversas privadas entre os acusados que vazaram para a imprensa, eles costumavam falar em dinheiro vivo e prostitutas, outro abalo para os socialistas, que fizeram da luta pelos direitos das mulheres uma bandeira.
Por enquanto, a Justiça não vai abordar outras ramificações do caso que salpicam Santos Cerdán, sucessor de Ábalos como número três do PSOE, também investigado por corrupção em um processo paralelo.
Ábalos, García e Cerdán foram figuras decisivas da volta de Sánchez à liderança socialista em 2017, após o famoso "giro do Peugeot", quando o atual premiê percorreu o país dirigindo o próprio carro para obter apoio para reconquistar as bases do partido.
Esse passado compartilhado levou a oposição a nomeá-los, depreciativamente, de "o bando do Peugeot".
O chefe de Governo encara outras frentes judiciais: seu irmão, David, será julgado no fim de maio por suposto tráfico de influência, e sua esposa, Begoña Gómez, foi indiciada em um caso de corrupção em separado.
S.Keller--BTB