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Líder supremo do Irã desafia EUA e petróleo dispara
O líder supremo do Irã afirmou, nesta quinta-feira (30), que os Estados Unidos sofreram uma "derrota vergonhosa" para o seu país, em meio ao recrudescimento das tensões que fez com que o barril de petróleo disparasse brevemente para 126 dólares, um nível sem precedentes desde 2022.
Embora um cessar-fogo esteja em vigor desde 8 de abril, Washington impõe um bloqueio aos portos iranianos em represália por sua paralisação do estratégico Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra.
Um funcionário de alto escalão do governo americano mencionou um possível prolongamento dessa medida "por meses".
A República Islâmica, por sua vez, voltou a desafiar seu inimigo nesta quinta-feira, através de uma mensagem escrita do líder supremo Mojtaba Khamenei, que se presume que esteja ferido e não foi visto em público desde que foi designado ao cargo no início do conflito.
"Dois meses depois do maior destacamento militar e da agressão realizados pelos tiranos deste mundo na região, e após a derrota vergonhosa dos Estados Unidos, abre-se um novo capítulo" para o Golfo e o Estreito de Ormuz, assegurou o aiatolá, filho e sucessor de Ali Khamenei, morto nos ataques israelenses e americanos que desencadearam o conflito em 28 de fevereiro.
- 'Ataques dolorosos' -
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, denunciou o bloqueio americano como uma "extensão das operações militares", apesar da trégua.
Trump, no entanto, considerou o bloqueio como uma ferramenta "um pouco mais eficaz que os bombardeios" em uma entrevista ao portal jornalístico americano Axios.
Segundo esse mesmo meio de comunicação, o mandatário republicano deveria, não obstante, receber um relatório nesta quinta por parte das forças armadas sobre possíveis novas ações militares.
Israel advertiu que poderia "ter que agir novamente" para que Teerã "não volte a se tornar uma ameaça", segundo o ministro da Defesa, Israel Katz.
Em Teerã, os sistemas de defesa antiaérea foram acionados na noite desta quinta, segundo a mídia iraniana, mas, por ora, as causas ainda são desconhecidas.
O comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), o exército ideológico do Irã, Majid Mousavi, advertiu na televisão estatal que até mesmo uma "breve" operação inimiga provocaria "ataques dolorosos, prolongados e extensos".
A guerra já causou milhares de mortos, principalmente no Irã e Líbano. Apesar da trégua e de uma rodada de conversas em 11 de abril no Paquistão, a diplomacia não rendeu frutos.
- 'A mais grave crise energética' -
Diante da perspectiva de um impasse em torno do conflito, o barril de petróleo de tipo Brent, a referência do mercado internacional, superou brevemente os 126 dólares nesta quinta-feira. Esse valor não era atingido desde o início de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Após esse pico, o valor do Brent recuou até se situar em torno dos 114 dólares.
Em Teerã, embora a vida tenha voltado à normalidade, os habitantes oscilam entre a angústia e o fatalismo, em um contexto de deterioração da situação econômica.
"É tão desmoralizante, a República Islâmica ainda está no poder, e pessoas inocentes viram suas vidas destruídas durante esta guerra", assegura Morteza, um especialista em informática, contactado por uma jornalista da AFP em Paris.
Enquanto as negociações permanecem estagnadas, as repercussões econômicas do bloqueio de Ormuz são sentidas em escala global, entre uma escassez crescente, surtos inflacionários e revisões para baixo do crescimento.
"O mundo enfrenta a maior crise energética de sua história", alertou, por sua vez, o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.
- Ao menos 17 mortos no Líbano -
No Líbano, a outra grande frente de batalha, pelo menos 17 pessoas morreram em ataques israelenses no sul do país, segundo as autoridades, e o presidente Joseph Aoun condenou as "persistentes violações" de Israel a uma trégua que entrou em vigor para essa região em 17 de abril.
A embaixada americana em Beirute pediu uma reunião entre o mandatário libanês e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao considerar que o Líbano se encontra "em um ponto de inflexão".
"Seu povo tem a oportunidade histórica de retomar as rédeas de seu país e forjar o seu futuro", assegurou no X.
As operações realizadas no Líbano por Israel, que combate o movimento islamista Hezbollah, aliado do Irã, já deixaram mais de 2.500 mortos e mais de um milhão de deslocados desde o início de março, segundo as autoridades.
Por sua vez, as forças armadas de Israel anunciaram nesta quinta-feira a morte "em combate" de um de seus soldados no sul libanês.
burx-vl-es/am/ph/arm/lb/rpr
O.Lorenz--BTB