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Mijaín López pede 'abertura' ao mundo para que esporte cubano volte à elite
Único atleta da história a conquistar cinco medalhas de ouro olímpicas no mesmo evento individual, o ex-lutador greco-romano Mijaín López pediu "abertura" ao resto do mundo e profissionalização em sua Cuba natal, em entrevista à AFP nesta quinta-feira (25), para que o esporte de seu país possa recuperar a glória perdida.
Tradicional potência do esporte latino-americano, Cuba regrediu nos Jogos Olímpicos.
Seu retrospecto de duas medalhas de ouro, uma de prata e seis de bronze em Paris-2024 foi o pior desde que retomou sua participação em Barcelona-1992, após boicotar Los Angeles-1984 e Seul-1988.
A melhor marca foi em Barcelona, com 14 medalhas de ouro, seis de prata e 11 de bronze.
"O esporte cubano está passando por um momento muito difícil", alertou López, de 43 anos, em entrevista dada em São Paulo, durante a COB Expo, feira anual do Comitê Olímpico Brasileiro.
"O esporte internacional é um negócio. Existem patrocinadores no esporte, coisas que são normais no mundo todo, e esse desenvolvimento não chegou a Cuba", disse López.
E, em palavras pouco comuns entre os atletas cubanos, ele pediu que haja uma mudança.
- 'Buscar uma abertura' -
O gigante de Herradura (pequena cidade no oeste de Cuba) derrotou Yasmani Acosta, que nasceu em Cuba mas representa o Chile, na final dos 130 quilos da luta greco-romana em Paris-2024.
Ovacionado, López se ajoelhou e deixou as sapatilhas no tatame, uma tradição dos lutadores ao se aposentarem.
Pergunta: Como você vê o estado atual do esporte cubano, com fracassos em modalidades icônicas como boxe e beisebol?
Resposta: "O esporte cubano está passando por um momento muito difícil, não apenas no boxe e no beisebol, mas também na luta livre [...] e é por isso que digo que precisamos fazer um experimento, precisamos rever o que vamos fazer. Perdemos muitos talentos. A emigração [deserções] tem sido parte de tudo isso que está acontecendo. Os centros de treinamento se deterioraram."
P: Há necessidade de abertura à profissionalização, como foi tentado com o acordo com a Major League Baseball (MLB) em 2018 para permitir que jogadores cubanos competissem livremente nos Estados Unidos, embora tenha sido rescindido um ano depois?
R: "Sim, acho que sim. Acho que precisamos buscar uma abertura que se estenda ao nosso esporte em Cuba [...]. O esporte internacional é um negócio. No esporte, há patrocinadores, coisas que são normais em todo o mundo, e esse desenvolvimento não chegou a Cuba."
"Perdemos nossos atletas na área de criação de patrocinadores, na área de divulgação dos atletas para as marcas, em todos os aspectos profissionais, assim como em todo o mundo [...]. É preciso haver uma mudança logo, porque estamos apenas começando um ciclo olímpico e já estamos vendo um declínio no esporte cubano."
P: Você falou sobre as deserções. Alguma vez se sentiu tentado?
R: "Sou cubano, continuarei sendo cubano e morrerei cubano [...]. Nunca tive dúvidas [...]. Sempre fui com a mentalidade de que ia ganhar uma medalha para todo o povo de Cuba [...]. Se você não respeita seu país, não respeita ninguém."
- A 'outra vida' de um mito -
P: Yasmani Acosta deu a entender nas redes sociais que você estava reconsiderando a aposentadoria antes de Los Angeles-2028. Essa é uma opção real?
R: "Não, não, não... Foi uma brincadeira que eu e Yasmani fizemos: 'Vamos esquentar um pouco as redes sociais' [risos]. Fiz o que tinha que fazer, e os anos não passam em vão. Foram 32 anos de carreira esportiva, 24 anos praticamente dominando o mundo, e chegou a hora de ir embora. O esporte é lindo, mas é sábio saber a hora de ir embora [...]. Sinto orgulho, e agora vem outra vida."
P: Como é essa outra vida?
R: "Hoje sou embaixador internacional e isso me dá a oportunidade de contribuir com um grão de areia para que os jovens possam ir longe."
P: Você sente falta de competir?
R: "A gente sente saudade [...]. Às vezes você sobe no tatame e, depois que termina, seu corpo inteiro dói [...]. Estou vivendo uma experiência diferente, e é uma coisa linda."
P: O que suas cinco medalhas de ouro olímpicas representam?
R: "A perseverança por tudo o que fiz na minha carreira, na minha vida pessoal, na minha vida profissional."
J.Fankhauser--BTB