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Bottas revela dieta perigosa que o deixou à beira da inanição na F1
Teve delírios, se sentiu como um "dependente de drogas" e ficou à beira da inanição: Valtteri Bottas revelou a perigosa dieta a que se submeteu há doze anos para controlar seu peso durante sua segunda temporada como piloto de Fórmula 1.
Na temporada que marca seu retorno à F1, ao volante da nova equipe americana Cadillac, o finlandês de 36 anos relatou como levou seus limites físicos ao extremo na tentativa de perder dez quilos enquanto pilotava pela Williams.
Em uma carta publicada na quarta-feira pelo The Players' Tribune, ele explicou que iniciou a dieta depois que a Williams previu que teria um carro acima do peso em 2014 e sugeriu que ele deveria perder cinco quilos.
O controle de peso foi um fator crucial para os pilotos na principal categoria do automobilismo por muitos anos, antes de o regulamento ser flexibilizados.
"Isso foi em uma época em que não havia um peso mínimo combinado para o assento e o piloto", explicou Bottas antes do Grande Prêmio de Miami de domingo, a quarta corrida da temporada de 2026.
"Se você coloca uma meta clara como essa diante de mim, eu fico obcecado por ela... Quando você me diz cinco quilos em dois meses, meu cérebro pensa: 'Cinco? Por que não 10? Podemos deixar o carro ainda mais rápido'", escreveu ele.
O piloto começou a comer brócolis e couve-flor cozidos no vapor em "quase todas as refeições", mesmo ao retornar de uma extenuante corrida de 90 minutos.
"Para mim, era como um jogo. Eu acordava e me pesava todas as manhãs e, quando via o número diminuir, sentia uma profunda satisfação", afirmou.
"Eu tinha um relógio com GPS, e meu preparador físico podia monitorar meu treino, minha frequência cardíaca, tudo. Eu sabia que ele acharia que eu estava me esgotando, então comecei a tirar o relógio e deixá-lo em casa antes da minha segunda sessão. O jogo acabou se tornando algo totalmente obsessivo", acrescentou.
Bottas, vencedor de dez Grandes Prêmios, disse ter mantido essa dieta extrema por dois meses e admitiu que seus "nervos ficavam completamente destroçados".
Quando começaram os testes de pré-temporada, ele notou que seu carro da Williams estava, na verdade, "abaixo do peso mínimo". Foi então que começou a se sentir "estranho" e a sofrer de "episódios de intensa confusão mental".
Por fim, contou ter procurado a ajuda de um psicólogo após o trágico e chuvoso Grande Prêmio do Japão de 2014, no qual o piloto francês Jules Bianchi sofreu um acidente que acabou sendo fatal.
Ele abandonou a dieta e recuperou sua forma física e saúde, prosseguindo em uma carreira que o levou da Williams para a Mercedes em 2017, atuando como segundo piloto ao lado do heptacampeão Lewis Hamilton. Em seguida, correu pela Sauber até 2024 e retornou este ano com a Cadillac.
K.Brown--BTB