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Boston se rende ao 'Exército de Tartan", a torcida da Escócia que faz festa na Copa do Mundo
Com a classificação de sua seleção para a Copa do Mundo pela primeira vez em 28 anos, milhares de torcedores escoceses viajaram para os Estados Unidos para apoiar a equipe e a cidade de Boston foi tomada pela invasão do "Exército de Tartan" ("Tartan Army").
"Meu Deus, eles são incríveis. Gostei muito de vê-los aproveitando a cidade", disse à AFP Cara DiBenedetto, moradora de 54 anos do bairro North End.
"Isso realmente renovou meu amor por Boston, porque eu os vejo descobrindo coisas que para mim era algo natural, e tem sido maravilhoso". afirmou.
Estima-se que entre 40 mil e 50 mil torcedores escoceses estiveram na cidade de Massachusetts para a estreia de sua seleção na Copa do Mundo, contra o Haiti, no último fim de semana.
E mais gente continua chegando para o jogo da segunda rodada do Grupo C, nesta sexta-feira (19), contra o Marrocos. O terceiro adversário será o Brasil, no dia 24 de junho, em Miami.
Conhecidos por esgotar os estoques de bebida alcoólica nas cidades que os recebiam - mas sem causar confusão -, os integrantes do "Exército de Tartan" eram presença constante em diversos eventos esportivos no final do século XX, exibindo seus famosos kilts.
Porém, como a Escócia não se classificava para uma Copa do Mundo desde 1998, os torcedores não hesitaram em atravessar o Atlântico para acompanhar a seleção do técnico Steve Clarke, e não se deixaram de forma alguma desanimar pelos preços dos ingressos ou pelo atual clima político nos Estados Unidos.
- "Bebem mais do que imaginávamos" -
"Intimidado? De jeito nenhum. Na verdade, é exatamente o tipo de despesa que eu esconderia da minha esposa", brincou Jamie Grewar, de 42 anos, que viajou de Edimburgo com dois amigos para o jogo contra o Haiti. Cada um pagou US$ 500 (R$ 2.580 na cotação atual) pelo ingresso, além do custo considerável de viagem e hospedagem.
Ele falava de Nova York, onde passava a noite antes de pegar o trem para o norte.
Em Manhattan, torcedores vestindo as camisas da seleção escocesa e kilts podiam ser vistos em quase todas as esquinas.
A Escócia derrotou o Haiti por 1 a 0 diante de 64 mil espectadores no Gillette Stadium, em Foxborough, cerca de 32 quilômetros ao sul do centro de Boston.
"Eu não tinha noção de quantos escoceses havia lá até realmente pisarmos no gramado", comentou o meio-campista Lewis Ferguson.
"Nunca duvidamos do apoio da torcida. Eles viajam para toda parte; sempre fizeram isso e sempre vão fazer", acrescentou Ferguson.
Depois, os torcedores voltaram à cidade para comemorar à sua maneira: a NBC News noticiou que um bar ficou sem sua cerveja durante o fim de semana "porque os escoceses beberam tudo".
"Eles são ótimos, cara. São pessoas maravilhosas. Trataram a gente com absoluto respeito", comentou Chris Wildt, barman de 49 anos do bar Black Rose.
"Eles bebem um pouco mais do que imaginávamos, mas nós gostamos disso".
No domingo, depois de se recuperarem da ressaca, os torcedores escoceses não conseguiram pensar em um programa melhor do que irem juntos até o Fenway Park para assistir ao jogo da Major League Baseball entre Boston Red Sox e Texas Rangers. E roubaram a cena.
- Marrocos e Brasil, os próximos adversários -
O Instagram está repleto de vídeos virais desses torcedores criando uma atmosfera bem diferente do ambiente habitual do beisebol, cantando músicas como "I'm Gonna Be (500 Miles)", do The Proclaimers, e "Super John McGinn".
"Que noite; é um grupo de pessoas fantástico", comentava o narrador.
Mas a Escócia não quer ser lembrada apenas por ter uma grande torcida. A equipe tem como objetivo passar da primeira fase da Copa do Mundo pela primeira vez na história, em sua nona participação no torneio.
A vitória sobre o Haiti foi apenas a quinta da seleção escocesa em 24 jogos em Mundiais. O resultado foi crucial, dada a dificuldade dos próximos adversários.
Na sexta-feira, a Escócia encara o Marrocos, sétimo colocado no ranking da Fifa e semifinalista na Copa de 2022. E o último rival do Grupo C será o sempre favorito Brasil.
Para esse jogo, a comunidade de torcedores escoceses estabelecida em Boston terá de viajar para o sul, até Miami, e encarar o calor da Flórida.
"Sabemos que temos os melhores torcedores do mundo, sabemos que eles nos acompanham em grande número, sabemos há quanto tempo eles esperam por este momento e sabemos o quanto estão empolgados. Agora, cabe a nós tentar proporcionar a eles uma grande experiência", disse o capitão da Escócia, Andy Robertson.
O.Bulka--BTB