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Países Baixos e Marrocos fazem duelo de amizades perigosas por vaga nas oitavas da Copa
Cinco jogadores do Marrocos enfrentarão cinco ex-companheiros holandeses nesta segunda-feira (29), em Monterrey, pela fase de 16-avos de final da Copa do Mundo de 2026, um confronto em que a amizade ficará fora de campo.
Os marroquinos Ismael Saibari, artilheiro dos 'Leões do Atlas' no Mundial com três gols, e Anass Salah-Eddine, juntamente com o meio-campista da 'Oranje' Guus Til, conquistaram o título do Campeonato Holandês pelo PSV Eindhoven há apenas algumas semanas.
O lateral-esquerdo Noussair Mazraoui (Manchester United), nascido nos Países Baixos e revelado pelo Ajax, jogou ao lado dos meio-campistas Frenkie de Jong (Barcelona) e Ryan Gravenberch (Liverpool) durante muito tempo no clube de Amsterdã.
O capitão do Marrocos, Achraf Hakimi, foi companheiro do atacante Donyell Malen (Roma) no Borussia Dortmund, enquanto o experiente meio-campista Sofyan Amrabat (Betis) jogou com Noa Lang (Galatasaray) no Club Brugge, na primeira divisão belga.
- Quase um clássico -
Hakimi, que nesta Copa já enfrentou seu capitão no Paris Saint-Germain, o brasileiro Marquinhos, afirmou que não haverá amizade em campo no estádio BBVA, em Monterrey, mas ressaltou o respeito que sente pelo ex-companheiro holandês.
O Marrocos "está se preparando coletivamente para enfrentar os Países Baixos, com o único objetivo de dar tudo de si para fazer história", afirmou o capitão dos 'Leões do Atlas'.
Saibari, por sua vez, afirmou que seria "agradável" reencontrar Til na segunda fase.
"Vou encontrar amigos, o que é muito bom, mas ainda não tenho acompanhado a seleção holandesa de perto. Vou ouvir o técnico para entender qual será a tática", acrescentou o artilheiro marroquino.
"Vou jogar contra os meus melhores amigos", disse Salah-Eddine, que espera "um jogo fantástico".
O duelo é crucial para ambas as equipes, que querem ir longe na Copa do Mundo.
A seleção holandesa já perdeu três finais de Mundial (Alemanha 1974, Argentina 1978 e África do Sul 2010), enquanto o Marrocos, quarto colocado no Catar 2022, busca chegar à decisão pela primeira vez, apenas quatro anos antes de sediar o torneio em conjunto com Espanha e Portugal.
O jogo também acontece em meio a um contexto de intenso debate e forte concorrência no país europeu em relação a talentos de origem marroquina.
- Marroquinos com vínculos holandeses -
Muitos desses jogadores — a começar por Mazraoui — optaram por representar a terra natal de seus pais em vez do país onde cresceram e se desenvolveram como atletas.
De Jong, ex-companheiro de equipe de Mazraoui, descreveu a partida contra a seleção norte-africana como "extremamente difícil" e elogiou a união do time, seus "jogadores de alta qualidade" e sua "grande experiência".
A partida terá um clima quase de clássico nos Países Baixos, que abriga uma grande comunidade marroquina (mais de 400 mil pessoas), especialmente em Amsterdã.
"Vamos enfrentar o Marrocos. Isso é ótimo para nós", comentou o técnico da 'Oranje', Ronald Koeman. "Teremos torcedores no México para nos apoiar".
O treinador da seleção marroquina, o belga Mohamed Ouabhi, espera que sua equipe esteja à altura do desafio, assim como aconteceu contra o Brasil (1 a 1), apesar de uma atuação abaixo do esperado diante do Haiti (vitória por 4 a 2).
"É verdade que só brilhamos contra as grandes equipes, e não contra times como o Haiti. Mas, se você olhar para as estatísticas, posse de bola e chances criadas, foi a nossa melhor partida no torneio. O problema é que sofremos dois gols nas únicas duas chances que eles tiveram. Desde março, estamos tentando descobrir como controlar cada jogo. Acho que jogamos bem, embora certamente haja coisas a melhorar", analisou.
I.Meyer--BTB