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Bruno Guimarães, motor e metrônomo do Brasil de Ancelotti
Apenas Michael Olise deu mais assistências do que ele na Copa do Mundo de 2026. Mas a influência de Bruno Guimarães na Seleção Brasileira vai além de suas habilidades como criador de jogadas: ele é o motor e o metrônomo de uma equipe que enfrentará a Noruega nas oitavas de final.
Foi do seu pé esquerdo que saiu o passe que deixou Gabriel Martinelli cara a cara com o goleiro japonês Zion Suzuki.
O atacante do Arsenal estufou a rede adversária e evitou, instantes antes do apito final, que a Seleção (2 a 1) fosse para uma prorrogação incerta na última segunda-feira, em Houston.
Com o passe que garantiu a classificação para as oitavas de final, Bruno chegou a quatro assistências em quatro jogos na Copa do Mundo, uma a menos que o líder do ranking, o francês Michael Olise.
Mas, acima de tudo, o meio-campista se firmou como o melhor intérprete do futebol e das emoções de Carlo Ancelotti em campo, em uma equipe que voltou a sofrer mais do que o esperado, embora tenha encontrado o caminho para seguir sonhando com o hexacampeonato mundial.
"Bruno é um jogador muito importante, muito contínuo no jogo, sempre tem muito boa participação defensiva e ofensivamente. Deu uma assistência fantástica, estou muito feliz porque Bruno tem um coração muito grande", afirmou 'Carletto' ao fim da partida em Houston.
O capitão do Newcastle, de 28 anos, mantém a calma nos momentos de maior pressão, se desdobra para dar suporte aos companheiros no meio-campo, Lucas Paquetá e Casemiro, e ao mesmo tempo soma a um ataque que já marcou nove gols em quatro jogos.
Sua função costuma ser a de um meio-campista misto, que sobe e volta, mas sua visão de jogo e seus passes enfiados curtos e longos poderiam lhe render a definição de armador.
Sua capacidade de quebrar linhas suscitou comparações com Dunga, o capitão da Seleção Brasileira tetracampeã nos Estados Unidos em 1994.
O ex-volante é lembrado por ter assumido a braçadeira de capitão e boa parte das tarefas criativas do time de Romário e Bebeto após o nível abaixo do esperado exibido pelo camisa 10 e líder da época, Raí.
Como há 32 anos, a Seleção atual não conta com um armador ou meia criativo clássico em boa fase, já que Neymar só estreou no fim da primeira fase e não jogou contra os japoneses.
- Líder do vestiário -
Ancelotti conseguiu extrair o máximo do talento do meio-campista (dois gols e seis assistências), que foi titular em 14 dos 16 jogos que o italiano comandou na Seleção, ficando de fora dos dois restantes por lesão.
Depois de uma passagem de destaque no Lyon, a vivência no Newcastle, da Inglaterra, lhe abriu as portas para novos papéis com a camisa do Brasil, que vestiu em 47 jogos desde a sua estreia com Tite, no fim de 2020.
O próprio jogador revelou que agora integra o seleto grupo de líderes do vestiário da Seleção, ao lado de veteranos como Alisson, Marquinhos e Danilo. Uma mudança e tanto em relação à sua participação na Copa do Mundo de 2022, quando entrou em campo apenas como reserva em duas partidas.
Seu valor será colocado à prova mais uma vez no jogo contra a Noruega de Erling Haaland no domingo (5), em East Rutherford, Nova Jersey.
Ancelotti certamente terá que modificar o meio-campo em razão da lesão de Paquetá, mas poderá ficar tranquilo com a presença de Bruno.
"A gente sabe que a pressão de vestir essa camisa é fora do normal, não se compara com qualquer clube no mundo. Se alguém duvidava antes do jogo de hoje, não duvida mais", disse o meio-campista à CazéTV após vencer o Japão.
O.Lorenz--BTB