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Argentina, atual campeã, cruza o caminho da surpreendente seleção de Cabo Verde nos 16-avos da Copa
Dois mundos se cruzam nesta sexta-feira (3) em Miami. De um lado, a Argentina, atual campeã mundial, transbordando confiança e liderada por um Lionel Messi imparável.
Do outro, a modesta Cabo Verde, que desafiou as probabilidades para chegar à fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026 logo em sua estreia no torneio.
A 'Albiceleste' correspondeu às expectativas ao liderar seu grupo fazendo uma campanha com 100% de aproveitamento. Mas poucos previam que o adversário seria Cabo Verde, a menor nação a superar a fase de grupos de uma Copa do Mundo.
Os 'Tubarões Azuis', orgulhosos representantes do arquipélago africano de cerca de 525 mil habitantes, alcançaram o feito de terminar em segundo lugar no Grupo H, atrás da Espanha, e eliminando Uruguai e Arábia Saudita.
O empate sem gols contra 'La Roja' na estreia foi uma das primeiras grandes surpresas do torneio, mas os cabo-verdianos não se deram por satisfeitos.
Contra o Uruguai, eles mais uma vez mostraram solidariedade e confiança para garantir um empate em 2 a 2, antes de se classificarem com um 0 a 0 diante da Arábia Saudita, se beneficiando da derrota da 'Celeste' para a Espanha (1 a 0).
Agora, um desafio enorme aguarda Cabo Verde.
A tricampeã mundial Argentina (1978, 1986 e 2022) avançou com tranquilidade para os 16-avos, conquistando na fase de grupos três vitórias confortáveis sobre Argélia (3 a 0), Áustria (2 a 0) e Jordânia (3 a 1).
E seu grande craque, Lionel Messi, segue determinado a fazer história aos 39 anos. Ele marcou seis dos oito gols da Albiceleste na Copa do Mundo na América do Norte, e se tornou o maior artilheiro da história do torneio, com 19 gols.
Essa marca impressionante contrasta fortemente com os dois gols que Cabo Verde marcou em sua breve trajetória em Copas, aqueles que foram anotados por Kevin Pina e Hélio Varela contra o Uruguai, em Miami.
- A cidade de Messi -
Scaloni enfrenta três dilemas na definição do time titular: escalar ou não o zagueiro Cristian 'Cuti' Romero após a pancada no joelho que o deixou de fora do jogo contra a Jordânia, reconduzir Nicolás Tagliafico à lateral-esquerda apesar da boa atuação de Facundo Medina, e decidir qual dos dois — Lautaro Martínez ou Julián Álvarez — fará dupla com Messi no ataque.
Apesar da enorme diferença de trajetória entre as equipes, Scaloni — que comandará a seleção argentina pela 100ª vez — pediu cautela em relação ao adversário: "Eles não estão aqui por acaso. Precisamos respeitá-los, e é isso que faremos", avisou.
Enquanto isso, a preparação dos 'Tubarões Azuis' foi ofuscada por um problema extracampo: uma acusação de estupro contra o capitão da equipe, Ryan Mendes, na Nova Zelândia, conforme noticiado pelo jornal O Globo.
O técnico de Cabo Verde, Pedro 'Bubista' Leitão, se recusou a comentar o assunto durante a coletiva de imprensa pré-jogo, remetendo a um comunicado oficial no qual a equipe afirmava que responderia apenas a perguntas referentes à partida em si.
O impacto dessa controvérsia é difícil de mensurar para um elenco que se prepara para enfrentar uma missão quase impossível em campo.
Cabo Verde terá que lidar com uma atmosfera hostil em uma cidade que Messi considera sua desde que chegou ao Inter Miami em 2023, um lugar onde as arquibancadas estarão repletas das cores da 'Albiceleste'.
Sólida na defesa e com o goleiro Vozinha, que se tornou uma estrela inesperada do torneio aos 40 anos, a seleção africana não pode se contentar em apenas resistir na defesa se quiser manter vivas as esperanças de surpreender mais uma vez.
Para continuar desafiando as probabilidades, eles precisam esquecer o óbvio: que a Argentina é a grande favorita e que chegar às oitavas de final já é um sonho incrível em sua primeira Copa do Mundo.
Bubista insistiu nesta quinta-feira que não estão chegando com espírito de resignação: "Não há outro pensamento senão tentar avançar para a próxima fase. Estamos nesta competição por mérito próprio", declarou.
G.Schulte--BTB