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Quando a tecnologia decide: VAR ganha destaque na Copa do Mundo de 2026
Um sensor na bola detecta o menor toque para anular um gol crucial, e avatares 3D sinalizam se um jogador está impedido, mesmo que por um milímetro: a tecnologia está assumindo o protagonismo na arbitragem da Copa do Mundo, atraindo elogios e críticas.
O VAR e o uso de novas tecnologias voltaram ao centro do debate na quinta-feira, quando um gol dramático do zagueiro croata Josko Gvardiol foi anulado por impedimento (90'+15).
A Croácia acabou perdendo por 2 a 1 para Portugal, resultando em sua eliminação na fase de 16-avos de final em Toronto, no Canadá.
O árbitro norueguês Espen Eskas anulou o lance após receber uma chamada do árbitro assistente de vídeo (VAR).
Um sensor instalado na bola Trionda detectou um leve toque de Igor Matanovic dentro da área. Isso colocou Mario Pasalic, que recebeu a bola antes do gol de Gvardiol, em posição irregular.
"Os dados da tecnologia Connected Ball", o sistema de chip usado na bola, "comprovaram que houve contato", e "o árbitro corretamente determinou o impedimento e anulou o gol", confirmou a Fifa em um comunicado.
A transmissão televisiva mostrou aos telespectadores um gráfico semelhante a um eletrocardiograma, que registrou uma flutuação no momento em que a bola passou por Matanovic. O toque havia sido imperceptível a olho nu no vídeo.
Embora o árbitro principal tenha sempre a palavra final após a introdução do VAR, a tecnologia está desempenhando um papel cada vez mais decisivo em situações como a de quinta-feira.
"Como sabemos que é impedimento? Não dá para ver, porque o olho humano não consegue detectar aquele toque tão sutil, mas agora temos a máquina", afirma o ex-árbitro espanhol Eduardo Iturralde González.
"Neste caso, o elemento humano desapareceu (...). Os humanos não definem as linhas nem traçam as linhas. A máquina faz tudo. Quem quiser reclamar, que reclame da tecnologia", concluiu Iturralde González, analista da Cadena SER, na Espanha.
A automatização de certas decisões de arbitragem é uma tendência crescente no esporte, que vai muito além do futebol.
O tênis vem eliminando progressivamente os juízes de linha em favor do sistema "Hawk-Eye", com exceção de Roland Garros entre os torneios do Grand Slam.
E na Major League Baseball, nos Estados Unidos, os arremessos são rastreados, permitindo que jogadores e treinadores contestem a decisão inicial do árbitro: bola ou strike?
- "Saiu de controle" -
O técnico da Croácia, Zlatko Dalic, e seus jogadores criticaram o VAR.
"O que o árbitro nos disse? Que Matanovic tocou na bola, mas vimos as imagens e não dá para afirmar com certeza", questionou o capitão da equipe, Luka Modric.
Matanovic, no entanto, admitiu ter sentido um "leve contato" com o "cabelo".
"Toda essa situação com o VAR saiu do controle", disse Dalic em entrevista coletiva.
"Não estou dizendo que o VAR não possa ser útil às vezes, mas ele mata a emoção. Mata tudo o que você sente por dentro", acrescentou.
Uma comemoração eufórica entorno de Gvardiol, após um gol que levaria a partida para a prorrogação, foi interrompida.
"A bola tinha um chip (...) Este é um daqueles exemplos em que a tecnologia ajuda. Estava impedido. Não há opinião subjetiva, nada de 'eu acho isso, você acha aquilo', nada disso", disse o técnico da seleção portuguesa, o espanhol Roberto Martínez.
Esses sensores já haviam entrado em ação durante a Copa do Mundo, sem chamar muita atenção, na vitória da Suécia por 5 a 1 sobre a Tunísia, na primeira fase. Naquela ocasião, foram utilizados para descartar um impedimento e validar um gol dos escandinavos.
- Quanto você calça? -
Um dos principais pontos de discussão em relação à Copa do Mundo de 2026 tem sido a regra do impedimento, um tema recorrente no futebol que levou figuras como Arsène Wenger a propor reformas regulamentares.
O VAR utiliza avatares 3D gerados por inteligência artificial para detectar jogadores em posição de impedimento.
A Fifa defende a "maior precisão" do sistema, embora isso não impeça momentos de controvérsia.
Um desses casos ocorreu no final da fase de grupos, durante o empate em 0 a 0 entre Colômbia e Portugal, quando um gol de Davinson Sánchez foi anulado.
De acordo com o avatar exibido durante a transmissão, Sánchez estava impedido... por causa da ponta da chuteira!
"Quanto você calça?", perguntou a jornalista colombiana Rossy Lemos em tom de brincadeira durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.
"Só 42", respondeu o zagueiro, rindo e evitando qualquer crítica à arbitragem. "Só isso. O que se pode fazer?"
M.Furrer--BTB