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Marrocos, o duro obstáculo da França em sua luta para chegar às semifinais da Copa do Mundo
Na busca por seu terceiro título mundial, a França de Kylian Mbappé colocará à prova seu status de favorita nesta quinta-feira (9), em Foxborough, perto de Boston, ao enfrentar a perigosa seleção do Marrocos, liderada por Achraf Hakimi, por uma vaga nas semifinais da Copa de 2026, na América do Norte.
'Les Bleus' precisarão mudar o ritmo após a vitória apertada (1-0) nas oitavas de final contra o Paraguai, que os obrigou a "sujar as mãos", como admitiu Mbappé, para neutralizar um estilo de jogo mais duro.
Será hora de voltar a vestir o smoking? Certamente não, já que a equipe do técnico Didier Deschamps terá de encarar os 'Leões do Atlas', que sabem jogar com garra e que evoluíram desde que os franceses os eliminaram (2 a 0) nas semifinais do Mundial do Catar, em 2022.
Campeões da Copa Africana de Nações em janeiro, os marroquinos tiveram uma trajetória bem mais tranquila que a dos franceses nas oitavas, vencendo com facilidade o Canadá (3 a 0), um dos três anfitriões.
Ainda assim, eles superaram grandes desafios: empataram em 1 a 1 com o Brasil na fase de grupos e nos 16-avos eliminaram os Países Baixos (1 a 1 no tempo normal e 3 a 2 nos pênaltis) graças a um gol de empate nos últimos instantes do tempo regulamentar, mostrando sua resiliência.
- Despertar as feras -
O Marrocos se transformou desde que Mohamed Ouahbi assumiu o comando em março, deixando de ser uma equipe que dependia de uma defesa sólida e de contra-ataques para adotar um estilo mais ofensivo, dando liberdade a jogadores de elite como o capitão Hakimi e os meio-campistas Brahim Díaz e Ismael Saibari.
Recém-contratado pelo Bayern de Munique, Saibari é o artilheiro da equipe com três gols, mas sofreu uma lesão contra os canadenses, e sua participação nas quartas de final é incerta.
A seleção norte-africana tem todas as qualidades necessárias para interromper abruptamente o sonho da França, campeã em 1998 e 2018, de conquistar a terceira estrela.
"Eles são uma equipe excelente, com talentos individuais de primeiro nível. Estão aqui para vencer, gostam de ter a posse de bola, atacar e marcar gols e por isso temos de estar prontos para apresentar o nosso melhor desempenho", disse Deschamps nesta quarta-feira.
Mas os 'Bleus' buscam despertar suas três feras — Mbappé, Michael Olise e Ousmane Dembélé — após terem sido contidos pelo Paraguai, que foi um duro obstáculo para a seleção que, possivelmente, apresentou até o momento o melhor futebol no torneio da América do Norte.
O capitão marcou o gol da vitória numa cobrança de pênalti contra 'La Albirroja' e segue na disputa pela Chuteira de Ouro, com sete gols em cinco partidas, apenas um a menos que o artilheiro, Lionel Messi.
O craque do Real Madrid tem sido uma peça-chave naquela que será a última campanha de Deschamps no comando da seleção francesa, que foi vice-campeã mundial há quatro anos.
Mbappé certamente entrará em campo com uma motivação a mais após ter sido alvo de comentários racistas de uma senadora paraguaia. Os ataques provocaram uma onda de indignação na França e geraram apoio inequívoco de autoridades como a ONU e a Fifa.
- Meio-campo potente -
Aos 27 anos, Mbappé busca conquistar seu segundo título mundial e superar Messi como o maior artilheiro da história da Copa do Mundo. O argentino marcou 21 gols, uma marca que pode aumentar após a emocionante classificação da Argentina para as quartas de final.
No entanto, as ambições de artilharia do capitão francês provavelmente enfrentarão obstáculos impostos pelo sólido meio de campo dos 'Leões do Atlas', que conta com a joia Ayyoub Bouaddi, ao lado de Neil El Aynaoui e Azzedine Ounahi.
O trio tem o apoio de laterais de alto nível: Hakimi, ídolo do Paris Saint-Germain, na direita, e Noussair Mazraoui, na esquerda.
"Eles são uma equipe fantástica. Evoluíram desde 2022, gostam de manter a posse de bola e se destacam no um contra um. Precisaremos ficar atentos, tanto na defesa quanto no ataque", alertou Dayot Upamecano na terça-feira.
O zagueiro vem tendo excelentes atuações na defesa francesa, que sofreu apenas dois gols em cinco partidas.
No entanto, a formação defensiva de Deschamps provavelmente sofrerá uma nova alteração devido a uma lesão muscular sofrida pelo meio-campista Aurélien Tchouaméni.
O jogador do Real Madrid desfalcou a equipe na partida contra o Paraguai e está "se sentindo melhor", segundo o técnico, mas é possível que Adrien Rabiot volte a formar dupla com Manu Koné.
O vencedor do confronto entre França e Marrocos disputará uma vaga na grande final contra a Espanha ou a Bélgica, que se enfrentam na sexta-feira, em Los Angeles.
P.Anderson--BTB