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Médicos deveriam ter 'mudado a abordagem' em relação aos sintomas de Maradona, diz perito
Diego Maradona passou por uma deterioração progressiva que poderia ter sido detectada e que deveria ter levado a equipe médica a intensificar os cuidados, afirmou um perito nesta quinta-feira (13), durante o julgamento sobre a morte do astro.
Maradona morreu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, vítima de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar. Ele recebia assistência médica domiciliar em Tigre, ao norte de Buenos Aires, após ter passado por uma neurocirurgia.
"Antes de um paciente morrer, sempre há sinais que podem ser percebidos. Deveria ter sido dado um alerta, levando a uma mudança na conduta", disse o cardiologista Gustavo Di Niro, ao depor no julgamento da equipe médica responsável pelo tratamento de Maradona.
Di Niro, que integrou a junta médica encarregada de analisar as circunstâncias da morte de 'El Diez', sustentou que as conclusões do grupo apontavam para uma lesão cardíaca preexistente, e não para um episódio agudo. Ele ressaltou ainda que o ex-jogador apresentava um histórico médico que poderia ter resultado em danos cardíacos crônicos.
O cardiologista avaliou que Maradona sofreu "um evento subagudo ou crônico" e que o acúmulo de líquidos observado em seu corpo era incompatível com uma morte súbita, argumento levantado por algumas das equipes de defesa dos acusados.
Di Niro criticou a equipe médica de Maradona por não ter advertido sobre os sintomas: "Se você examina um paciente e suspeita de possível disfunção orgânica e insuficiência cardíaca iminente, você intensifica o nível de cuidados e o transfere para uma unidade adequada para tratamento, e não para cuidados domiciliares".
Tanto a adequação desses cuidados domiciliares quanto a qualidade do tratamento oferecido estão sendo questionadas no julgamento da equipe médica que acompanhava o astro na época de sua morte.
O depoimento de Di Niro ocorreu dois dias após o de Carlos Cassinelli, outro membro da junta médica, que sustentou que Maradona havia apresentado sinais de alerta como edema, hipertensão, taquicardia e falta de ar, os quais deveriam ter sido avaliados.
Sete profissionais de saúde estão sendo julgados por homicídio com dolo eventual, um conceito jurídico que implica que eles tinham consciência de que suas ações ou omissões poderiam levar à morte do ex-jogador. Embora adotem estratégias de defesa diferentes, todos alegam inocência.
N.Fournier--BTB